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As propostas de Flávio Bolsonaro e de Lula para baratear o preço dos alimentos

Enquanto o senador aposta na redução do Custo Brasil, o presidente pretende estimular a produção de alimentos para conter os preços

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 out 2026, 15h25 | Atualizado em 13 out 2026, 09h42
As propostas de Flávio Bolsonaro e de Lula para baratear o preço dos alimentos Priorize VEJA no Google

Após três meses consecutivos de recuo, os preços dos alimentos voltaram a subir em setembro, segundo divulgado nesta sexta-feira 9 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,82% no mês passado, a alimentação no domicílio, que mede a inflação dos alimentos comprados para se preparar e consumir em casa, avançou 0,96%. Entre os itens que mais encareceram estão o arroz (4,6%), a batata inglesa (24%), o tomate (38%) e a cebola (10%). Com as famílias cada vez mais endividadas, a inflação dos alimentos entrou no programa de governo dos dois candidatos à Presidência neste segundo turno – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que tenta se reeleger, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que desponta como favorito nas pesquisas de intenção de voto.

No geral, Flávio Bolsonaro aposta na redução do Custo Brasil para baratear os alimentos, enquanto Lula propõe incentivar a agricultura familiar e o aumento da produção. Veja, a seguir, as principais propostas dos postulantes ao Palácio do Planalto para que os alimentos não causem uma indigestão no bolso dos brasileiros.

Flávio Bolsonaro: “O brasileiro precisa poder comprar os alimentos”

Seu programa de governo afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas tal liderança não é percebida pelos consumidores na hora das compras. “Parte importante da explicação está no caminho entre a lavoura e a prateleira”, afirma o documento, acrescentando que o custo logístico equivale a 15,5% do produto interno bruto do país, enquanto, nos Estados Unidos, ele é de 8,8% do PIB. “Essa diferença não fica no meio do caminho: ela chega ao preço final e é paga pela família”, afirma o texto.

Assim, a primeira proposta do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é construir “corredores logísticos inteligentes” que permitirão reduzir o custo do transporte de cargas. O Zero-Um também planeja ampliar o seguro rural, permitindo maior previsibilidade para o agricultor, que seria encorajado a plantar, porque se sentiria coberto contra eventuais perdas.

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O programa de Flávio promete ainda ampliar a capacidade de armazenamento das safras, um problema crônico do Brasil. Sem ter onde estocar a produção, os agricultores são forçados a escoá-la rapidamente e o país fica sem estoques reguladores para o período de entressafra, gerando grande impacto nos preços. “Com armazenagem, o alimento fica disponível o ano inteiro, e a conta do supermercado deixa de ser uma surpresa a cada visita”, afirma o texto.

Por fim, para garantir segurança alimentar aos brasileiros, o senador propõe apoiar a produção nacional de fertilizantes. Como se sabe, embora seja uma espécie de celeiro do mundo, a agricultura local depende de fertilizantes importados, o que encarece o plantio em momentos de crise internacional.

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Lula: “É preciso apoiar quem alimenta o Brasil”

O programa de governo de Lula é mais abrangente e intercala um balanço do que o petista afirma ter obtido em seu terceiro mandato com os planos para uma eventual quarta temporada no Palácio do Planalto. Ao afirmar, por exemplo, que seu governo retirou o Brasil do Mapa da Fome, o documento cita que, entre os fatores que contribuíram para isso, estão o “fomento à produção de alimentos e a retomada dos estoques reguladores,  fundamentais para reduzir a inflação de alimentos”.

Lula também acena para a agricultura familiar, para a qual promete mais recursos para financiar a produção e lembrou que, nos últimos anos, o orçamento do Pronaf, programa focado na agricultura familiar, bateu sucessivos recordes. “No próximo mandato, vamos assegurar que quem alimenta o Brasil continue a ter condições adequadas para produzir e prosperar”, afirma o texto. O presidente-candidato planeja ainda elevar o orçamento do Plano Safra para as pequenas famílias.

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Para os grandes produtores rurais, o programa propõe ampliar os recursos do Plano Safra e garantir juros “compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária”. Lula promete ainda “consolidar o crédito como instrumento de modernização” do agronegócio. Para tanto, se dispõe a incentivar a diversificação das fontes de financiamento, “estimulando o mercado de capitais e títulos do agronegócio.”

O documento assinala ainda a pretensão de fortalecer o seguro rural, a fim de proteger os produtores rurais de perdas decorrentes dos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. “Queremos um país que garanta segurança alimentar, fortaleça sua produção agropecuária e agroindustrial, agregue valor às exportações, preserve o meio ambiente e assegure alimentos de qualidade a preços acessíveis”, afirma o plano lulista.

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