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Ata do Copom endurece tom e coloca em dúvida ritmo de queda dos juros

Banco Central sinaliza preocupação com inflação, guerra no Oriente Médio e risco fiscal, indicando cortes mais lentos e incertos na Selic

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 Maio 2026, 10h21 | Atualizado em 5 Maio 2026, 10h43

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 5, trouxe um tom mais duro do que o sugerido pela decisão recente de corte de 0,25 ponto percentual na Selic e reforçou a percepção de que o Banco Central está longe de confortável com o cenário inflacionário.

Embora o ciclo de afrouxamento tenha sido iniciado, o documento indica que o processo deve ser mais lento, cauteloso e dependente da evolução dos dados, em um ambiente marcado por incertezas externas e riscos domésticos relevantes.

Na leitura de Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, a ata escancarou uma preocupação que já vinha sendo percebida pelo mercado. Segundo ele, o Banco Central deixou claro que, apesar de ter iniciado os cortes, mantém uma postura defensiva diante da inflação. “O tom da ata é claramente mais duro do que o corte sugeriria. O Banco Central até tirou o pé do freio, mas está com o pé colado no pedal, pronto para pisar de novo se precisar”, afirma.

O documento aprofunda o diagnóstico ao indicar que a inflação voltou a surpreender negativamente, impulsionada, sobretudo, pelo choque recente nos preços do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Além disso, o Copom demonstra incômodo com a desancoragem das expectativas inflacionárias, inclusive em horizontes mais longos, o que tende a elevar o custo de trazer a inflação de volta à meta. Nesse contexto, ganha força a possibilidade de um ciclo de cortes mais curto do que o inicialmente projetado, com o próprio Banco Central sinalizando incerteza sobre a extensão do movimento.

O cenário internacional aparece como um dos principais pontos de atenção na ata. Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, as incertezas externas seguem como ponto central da ata. “O principal destaque são as dúvidas em relação à extensão, à duração e aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira. Já é possível observar efeitos de primeira ordem, especialmente nos combustíveis, mas ainda há muita incerteza sobre os efeitos de segunda ordem ao longo da cadeia produtiva”, afirma.

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Já no cenário doméstico, o risco fiscal permanece no radar e pode influenciar diretamente o ritmo da política monetária. Segundo Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, o cenário base ainda prevê continuidade dos cortes, mas com ressalvas. “Nossa expectativa segue sendo de cortes de 0,25 ponto percentual, com a Selic chegando a 12,75% no fim do ano. Mas o risco fiscal ainda é maior do que o impacto do petróleo, e uma pausa pode ser necessária se a atividade não desacelerar”, diz.

Com isso, a ata reforça uma mudança importante na narrativa do mercado. Se antes havia maior otimismo com um ciclo mais acelerado de queda de juros, agora prevalece a leitura de que o Banco Central seguirá em modo de calibragem fina, ajustando o ritmo de acordo com os dados e mantendo espaço para interromper o movimento caso necessário. A mensagem final é de que os juros devem continuar caindo, mas em um ritmo mais gradual, cercado de incertezas e com risco real de o ciclo terminar antes do previsto.

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