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Banco Central recorre contra inspeção do TCU sobre caso do Master

Decisão monocrática de ministro gerou reação em cadeia no setor financeiro; entenda

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jan 2026, 09h57 | Atualizado em 6 jan 2026, 10h10

O Banco Central recorreu contra a decisão de inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à liquidação do Banco Master. A informação foi publicada inicialmente pelo g1 e confirmada por VEJA nesta terça-feira, 6.

No recurso, o Banco Central afirmou que o regimento interno do TCU determina que apenas decisões colegiadas podem determinar inspeções em órgãos federais. Desse modo, o BC cobra a indicação de uma decisão deferida pela Primeira Turma do TCU.

“Tendo em vista que não há indicação de deliberação da Primeira Câmara do TCU determinando a inspeção no BCB, serve-se esta autarquia dos presentes embargos de declaração para solicitar que tal omissão seja sanada, mediante a indicação da decisão do referido colegiado acerca da mencionada diligência”, diz o BC em recurso.

Ontem, o ministro Jhonatan de Jesus adotou um tom amplamente duro contra a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, realizada em novembro de 2025. Para o ministro, a liquidação realizada pela autoridade monetária é uma “exposição sintética de cronologia sem provas documentais”. O ministro almeja uma reconstrução documental detalhada de todo o passado recente da instituição financeira.

No despacho, o ministro procura entender como o BC permitiu o crescimento exorbitante do Master a partir de 2019, ainda na gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para compreender esses pontos, o ministro determina que a área técnica do TCU realize uma inspeção no Banco Central para avaliar o perfil dos investidores institucionais do Master e se os ativos remanescentes da empresa são passíveis de degradação, o que poderia reverter a possibilidade de liquidação.

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A decisão gerou uma reação em cadeia. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) emitiu nesta segunda-feira, 5, uma nota em conjunto com a Anbima, a associação do mercado de capitais, e outras nove entidades do mercado financeiro, defendendo as “decisões técnicas” e a “autonomia” do Banco Central.

Embora não faça menção direta a nenhuma ocorrência, o comunicado foi divulgado em meio à polêmica gerada depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo questionando o encerramento das atividades do Banco Master decretado pelo BC em novembro.

Em sua nota, as entidades financeiras afirmam que “depositam plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central” e que o papel do BC inclui “uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante”.

O comunicado também defende que “é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro”.

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