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Banco Master: ‘Relação incestuosa’ preocupa o mercado

Escândalo Master ainda pode contaminar o sistema financeiro

Por Veruska Costa Donato 7 Maio 2026, 14h08
Banco Master: ‘Relação incestuosa’ preocupa o mercado Priorizar nos meus resultados Google

A investigação da Operação Compliance Zero começou a produzir efeitos que vão além do noticiário policial e já provoca desconforto em Brasília e no mercado financeiro. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o envolvimento do senador Ciro Nogueira adiciona um componente político delicado ao caso e amplia a preocupação sobre a extensão das conexões entre agentes públicos e instituições financeiras.

Papel central

Agostini lembra que Ciro Nogueira teve papel central na articulação política do governo Bolsonaro e avalia que o fato de ele ser o primeiro nome político diretamente atingido pela investigação muda a percepção sobre o alcance do escândalo. Na leitura do economista, o mercado começa a observar com mais atenção se o episódio pode avançar sobre outras figuras influentes e gerar desgaste institucional em um momento já sensível para a economia.

Política e sistema financeiro

O economista afirma que existe apreensão principalmente porque episódios dessa natureza acabam levantando dúvidas sobre a qualidade das relações entre política e sistema financeiro. Segundo ele, quando surgem sinais de “relações incestuosas” entre interesses públicos e privados, investidores tendem a aumentar cautela, especialmente em um ambiente global em que confiança institucional pesa tanto quanto indicadores econômicos.

Fraude preocupante

Em relação ao Banco Master, Agostini classifica o episódio como uma “fraude preocupante”, mas pondera que, até agora, não houve impacto sistêmico relevante sobre o funcionamento do mercado financeiro nacional. Ainda assim, o caso passou a ser acompanhado de perto por analistas de risco e agências de classificação, justamente pelo potencial de contaminação política e reputacional.

Ponto sensível

Um dos pontos mais sensíveis, segundo ele, envolve o debate sobre o Fundo Garantidor de Crédito. Agostini lembra que existia uma discussão para elevar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Se a mudança tivesse sido aprovada antes da crise envolvendo o Master, o tamanho potencial do problema poderia alcançar cerca de R$ 200 bilhões, quadruplicando a exposição do sistema ao episódio.

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Ainda não

Apesar do barulho político e das dúvidas que começam a circular em Brasília, o economista avalia que o caso ainda não alterou de forma significativa a estratégia dos investidores nem provocou uma mudança ampla na alocação de ativos. O mercado, segundo ele, mantém o tema no radar, mas segue tratando a investigação como um risco político paralelo, e não como um fator capaz, neste momento, de redefinir sozinho o rumo da economia brasileira.

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