BC alerta para risco de alta nos juros do financiamento imobiliário
Novo modelo amplia uso de captações a mercado e pode exigir ajustes em períodos de juros mais elevados
O Banco Central alertou para o risco de aumento dos juros do financiamento imobiliário à medida que o novo modelo de crédito habitacional passe a depender mais de recursos captados no mercado e menos da poupança.
Em discurso nesta terça-feira no ABECIP Summit 2026, o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, afirmou que o limite atual de juros do Sistema Financeiro da Habitação, de 12% ao ano sobre o indexador, pode se tornar um desafio em períodos de taxas mais elevadas. Pelo novo modelo, 80% dos recursos deverão ser destinados a operações enquadradas no SFH.
A preocupação decorre da mudança no funding dos bancos. Nas novas operações, o financiamento deverá ser sustentado inicialmente por letras e instrumentos de mercado de capitais, enquanto os recursos da poupança terão papel complementar, ajudando a reduzir o custo financeiro das operações.
Segundo Vivan, o BC manterá o modelo em permanente reavaliação e poderá promover ajustes ao longo de sua implementação. A nova regra começa a vigorar gradualmente em janeiro de 2027, depois de uma fase de testes iniciada no fim de 2025.
Os testes já mostram uma mudança na precificação. Para imóveis de até R$ 2,25 milhões, as taxas praticamente não se alteraram. Já nos financiamentos de imóveis acima desse valor, os juros passaram a superar os cobrados em imóveis de até R$ 1 milhão. A diferença média nos últimos seis meses chegou a cerca de 0,81 ponto percentual ao ano, movimento que o diretor disse estar entre os efeitos esperados da mudança.







