Beleza em todo lugar: Cálamo transforma tecnologia em vantagem competitiva
Responsável por abastecer 200 000 pontos de venda do Grupo Boticário, companhia leva prêmio TOP30 na categoria atacado e distribuição
Quando alguém compra um perfume do Boticário em uma farmácia, um batom da Vult em um supermercado ou um hidratante da Eudora pelo site, dificilmente percebe que todas essas compras passam pela mesma máquina logística. Em 2025, o Grupo Boticário faturou 38 bilhões de reais. O resultado só foi possível graças à Cálamo, a distribuidora do grupo cuja missão é garantir que os produtos estejam disponíveis nos diferentes canais de vendas. Com uma receita de 9,9 bilhões de reais e um lucro de 1,7 bilhão no ano passado, sua rentabilidade alcançou 69% sobre o patrimônio líquido, um desempenho que lhe garantiu o título de campeã na categoria atacado e distribuição da edição especial TOP30 — As Melhores Empresas do Brasil.
Em 2025, a Cálamo ampliou sua presença para 200 000 pontos de venda não proprietários. O canal B2B cresceu 23% e agora abastece 160 000 estabelecimentos, enquanto a operação profissional alcançou 40 000 salões de beleza. “A organização logística, aliada a uma constante atualização centrada nas demandas dos clientes, é o que sustenta a expansão do nosso ecossistema de beleza”, afirma Marcelo Azevedo, vice-presidente de finanças e de estratégia do Grupo Boticário.
Para acompanhar a expansão, a companhia decidiu integrar os estoques e as entregas das franquias, do comércio eletrônico e de outros canais. “Assim, visualizamos o estoque das nossas operações diretas e dos milhares de pontos de venda de franqueados para planejar a entrega mais eficiente, rentável e rápida”, diz Azevedo.
A inteligência artificial (IA) reforça essa estratégia ao monitorar a logística com transportadoras parceiras e antecipar gargalos, o que reduziu em 29% os problemas com entregas. Um sistema prevê a demanda de cada ponto de venda para evitar a falta ou o excesso de estoques. Ferramentas de machine learning cruzam mais de 2 700 variáveis para orientar o abastecimento.
O desafio da Cálamo cresce com a renovação do portfólio. Em 2025, cerca de 27% das vendas do Grupo Boticário, presidido por Fernando Modé, vieram de produtos lançados nos doze meses anteriores. “Produtos novos não têm histórico de vendas, o que torna a previsão de demanda mais complexa”, diz Thiago Holanda, diretor para a América Latina da Libiao Robotics, que atua com automação de armazéns e de centros de distribuição. Segundo Holanda, a IA ajuda a solucionar esse xadrez ao analisar produtos similares e ajustar previsões com os primeiros dados de venda.
Tudo isso exige investimentos. A Cálamo se prepara para dobrar a capacidade de separação de pedidos e para reduzir o tempo de entrega em regiões estratégicas. A empresa também deve ampliar a presença em canais não proprietários, sobretudo em farmácias, supermercados e salões. Com os consumidores transitando cada vez mais entre lojas físicas, comércio eletrônico e marketplaces, a rapidez de adaptação será fundamental.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







