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Bill Gates mudou de tom sobre a IA; agora, teme o que pode dar errado

Cofundador da Microsoft defende imposto sobre uso de inteligência artificial e regras para impedir que tecnologia substitua trabalhadores

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 11h30 | Atualizado em 26 ago 2026, 11h55
Bill Gates mudou de tom sobre a IA; agora, teme o que pode dar errado Priorizar nos meus resultados Google

Bill Gates, cofundador da Microsoft, afirmou que a indústria de tecnologia está subestimando os riscos associados ao avanço da inteligência artificial e alertou para a possibilidade de uma onda de desemprego em massa.

Para o bilionário, empresas estão acelerando o desenvolvimento da tecnologia porque há muito dinheiro em jogo, mesmo diante de riscos que antes eram considerados motivos para cautela.

Em entrevista ao New York Times, Gates disse que executivos do setor demonstram preocupação em conversas privadas, mas evitam falar publicamente sobre o assunto para não prejudicar seus negócios e a capacidade de levantar investimentos.

Segundo ele, os avanços recentes da inteligência artificial superaram suas próprias expectativas.

“Em particular, as pessoas que entendem o quão boa essa tecnologia é e o quanto está melhorando estão muito preocupadas”, afirmou Gates.

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Aos 70 anos, Gates defende que os governos adotem medidas para conter os efeitos negativos da inteligência artificial.

Entre as propostas está a criação de um imposto sobre o uso da tecnologia, calculado a partir dos chamados tokens, unidades básicas de processamento utilizadas pelos sistemas de IA.

A ideia, segundo ele, seria aumentar o custo da substituição de trabalhadores por máquinas e destinar os recursos arrecadados para ajudar pessoas afetadas pelo avanço da automação.

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Gates também defende que algumas atividades sejam classificadas como “Human Reserved”, ou seja, funções que não poderiam ser substituídas por inteligência artificial.

O bilionário cita como exemplo trabalhos que envolvem relações profundamente pessoais, como os de cuidadores.

A justificativa é que, em determinadas ocupações, os trabalhadores substituídos pela IA teriam poucas alternativas para encontrar emprego em outras áreas.

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Gates considera que a atual onda de automação é diferente das anteriores. Nas revoluções tecnológicas do passado, disse ele, novas atividades acabaram criando empregos suficientes para compensar parte das vagas eliminadas.

Desta vez, porém, a inteligência artificial poderá se espalhar simultaneamente por diferentes setores da economia, reduzindo a capacidade de outras áreas de absorver os trabalhadores dispensados.

“O que está acontecendo com a IA é completamente diferente”, afirmou.

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Além do mercado de trabalho, Gates vê riscos relacionados à segurança. Ele defende acordos internacionais para estabelecer critérios de monitoramento e restrição de sistemas capazes de contribuir para o desenvolvimento de armas biológicas.

Para o cofundador da Microsoft, sistemas de IA cada vez mais avançados podem reduzir as barreiras para que pequenos grupos desenvolvam novos agentes patogênicos.

Por isso, ele defende avaliações obrigatórias de modelos que apresentem capacidade de contribuir para a criação de moléculas potencialmente perigosas.

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Gates também criticou a aposta da indústria e do governo americano em mecanismos voluntários de segurança. Para ele, os riscos associados aos sistemas mais avançados exigem regras obrigatórias, e não apenas compromissos assumidos pelas próprias empresas.

A posição representa uma mudança significativa para um dos principais nomes da história da tecnologia. Gates afirmou que ficou particularmente impressionado com a evolução dos sistemas de inteligência artificial para programação. Segundo ele, ferramentas recentes da Anthropic chegaram a apresentar capacidades superiores às suas em uma área que considera ser aquela que melhor conhece.

Apesar das críticas, Gates não defende a interrupção do desenvolvimento da inteligência artificial. Sua preocupação é com a velocidade da adoção e com a falta de mecanismos para distribuir os ganhos da tecnologia e limitar seus efeitos negativos.

Ele pretende levar o tema para reuniões com líderes mundiais e colocar a inteligência artificial entre suas principais prioridades, ao lado de questões relacionadas à saúde global.

Para Gates, a tecnologia pode gerar avanços importantes, mas o setor precisa reconhecer que inovação também pode produzir consequências negativas em escala global.

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