ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Boom dos data centers abre nova avenida de negócios para a Libraport

Empresa movimentou 520 milhões de dólares em cargas do setor no primeiro semestre, mais que em todo 2025, enquanto mercado brasileiro caminha para ano recorde

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 15h00
Boom dos data centers abre nova avenida de negócios para a Libraport Priorizar nos meus resultados Google

Antes de virar inteligência artificial, nuvem ou capacidade de processamento, o bilionário mercado de data centers precisa passar por uma etapa bem menos glamourosa: a alfândega. Servidores, racks e uma montanha de equipamentos de alta tecnologia precisam desembarcar no Brasil para abastecer os projetos que se espalham pelo país. É justamente nesse pedaço da engrenagem que a Libraport, em Campinas, começou a sentir no caixa a dimensão da corrida pela infraestrutura digital.

No primeiro semestre deste ano, passaram pela empresa 520 milhões de dólares em cargas destinadas a projetos de data centers. O valor é 35,8% superior aos 383 milhões de dólares registrados durante todo o ano de 2025. Mantido o ritmo dos primeiros seis meses, a movimentação desse segmento poderá romper a barreira de 1 bilhão de dólares em 2026.

O salto da Libraport não acontece no vazio. O Brasil atravessa o maior ciclo de expansão de data centers de sua história. Segundo a JLL, 106 MW de nova capacidade foram entregues apenas no primeiro semestre e outros 134 MW deverão entrar em operação até dezembro. Os projetos previstos para este ano representam aproximadamente 8 bilhões de dólares em investimentos. A vacância dos data centers brasileiros está em apenas 4%, enquanto 56% do estoque ainda em construção já foi contratado. Desde 2012, o mercado cresceu seis vezes e avança, em média, 15% ao ano.

É essa combinação que ajuda a explicar por que um negócio aparentemente distante do universo da tecnologia começou a ser empurrado pela mesma onda da inteligência artificial. A Libraport é um Centro Logístico Industrial Aduaneiro, o chamado CLIA, instalado em Campinas e especializado na movimentação de cargas internacionais. A empresa possui 90.000 metros quadrados de área alfandegada e uma estrutura dedicada justamente a produtos de alta tecnologia, incluindo instalações para inspeção e testes de equipamentos.

Continua após a publicidade

A localização tornou-se particularmente valiosa. São Paulo concentra 38% da capacidade instalada de data centers do Brasil, sobretudo nos eixos de Barueri e Campinas. E a previsão é que a capacidade da região de Campinas cresça mais 60,9% até 2028. A concentração já atrai projetos de enorme porte. Em maio, por exemplo, a Ascenty anunciou em Sumaré, na região metropolitana de Campinas, um complexo dedicado à inteligência artificial cujo investimento, somados os equipamentos dos clientes, pode chegar a 30 bilhões de reais.

Para a Libraport, isso significa estar instalada praticamente na rota de abastecimento de uma indústria que ainda deverá consumir bilhões de dólares em máquinas nos próximos anos. O efeito já começa a alterar a composição das cargas que passam por seus armazéns. Em 2025, toda a operação alfandegada da empresa movimentou 2,98 bilhões de dólares. Os 520 milhões de dólares associados apenas a data centers nos primeiros seis meses deste ano dão uma ideia do peso que o segmento começa a ganhar dentro da companhia.

Continua após a publicidade

“O desempenho do primeiro semestre mostra que a expansão dos data centers já está produzindo efeitos concretos sobre a cadeia de comércio exterior e logística”, afirma Bruno Barbosa, diretor-presidente da Libraport. Segundo ele, o crescimento exige uma estrutura capaz de lidar com produtos de alto valor e operações nas quais segurança, equipamentos adequados e precisão são essenciais.

Durante anos, a expansão da economia digital brasileira foi medida por usuários, tráfego de dados e investimentos anunciados. Agora ela começa a aparecer também em toneladas de equipamentos e centenas de milhões de dólares cruzando armazéns alfandegados. Para a Libraport, o grande ciclo dos data centers chegou antes mesmo de os servidores serem ligados. Isso já começou a movimentar outra espécie de máquina: a dos negócios.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).