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Câmara quer votar trabalho em aplicativo no mês que vem

Já o fim da escala 6x1, outra bandeira do governo Lula, foi debatido na CCJ da Câmara

Por Veruska Costa Donato 11 mar 2026, 12h49
Câmara quer votar trabalho em aplicativo no mês que vem Priorize VEJA no Google

O Congresso acelerou duas discussões importantes sobre o mercado de trabalho: a regulamentação dos motoristas de aplicativos e o debate sobre o fim da escala 6×1. Os temas avançam em frentes diferentes, mas têm algo em comum — a tentativa de atualizar regras trabalhistas diante de novas realidades do mercado.

Aplicativos

No caso do trabalho por aplicativos, uma comissão especial da Câmara dos Deputados tenta fechar um acordo até o fim de março. A ideia é votar o texto no colegiado e encaminhá-lo ao plenário. Caso não haja consenso, o governo avalia enviar um projeto de lei próprio para disciplinar o setor, que hoje reúne cerca de 1,5 milhão de motoristas e aproximadamente 500 mil entregadores no país.

Negociações Governo e Câmara

As negociações se intensificaram depois de uma reunião realizada ontem na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta. Participaram do encontro o relator da proposta, Augusto Coutinho (republicanos/PE), além do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos.

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Equilíbrio

O objetivo do projeto é equilibrar a relação entre plataformas e trabalhadores, preservando a autonomia do modelo de aplicativo, mas garantindo proteção social mínima, como contribuição previdenciária e cobertura em caso de acidentes. A discussão também envolve as taxas cobradas pelas plataformas sobre as corridas ou entregas — um ponto frequentemente citado pelos motoristas como fonte de desequilíbrio na relação de trabalho.

Escala 6×1

Outro debate trabalhista que ganhou força no Congresso envolve o fim da escala 6×1. O ministro Luiz Marinho esteve na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para discutir o tema e explicou uma distinção importante: jornada e escala não são a mesma coisa. A jornada se refere ao total de horas trabalhadas por semana — atualmente em 44 horas — enquanto a escala define como esses dias de trabalho e descanso são distribuídos.

PECs

A CCJ analisa duas propostas de emenda à Constituição sobre o tema. A PEC 221/2019, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, prevê reduzir a jornada semanal para 36 horas com transição de dez anos. Já a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton, estabelece jornada de 36 horas com escala obrigatória de quatro dias de trabalho por três de descanso. Marinho ressaltou ainda que o governo não estuda conceder isenções ou redução de impostos para que empresas apoiem o fim da escala 6×1.

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