Carta ao Leitor: Esqueça a tecnologia
Sem a base de equipamentos e telecomunicação, a Copa não geraria bilhões de dólares. Mas quem faz o espetáculo são os jogadores e os torcedores
O título deste texto é uma frase do americano John Roese contida em entrevista publicada nesta edição. Ele conta que sua mãe, bibliotecária, era uma ludita — pessoa avessa à tecnologia, em referência aos destruidores de máquinas do início da Revolução Industrial, 200 anos atrás. Mas Roese não é um ludita. Ao contrário, ele é chefe da área de inteligência artificial da Dell, uma empresa que nasceu e cresce no meio digital. O que Roese quis dizer é que, antes de escolher em quais projetos de tecnologia apostar, os executivos devem decidir as áreas da empresa que precisam tornar mais eficientes. Ele próprio fez isso na Dell, relatando que, ao assumir sua função, herdou 900 projetos e cortou 896. Passados dois anos, a companhia está faturando 30 bilhões de dólares a mais com custos 7% menores.
A tomada de decisões assim é algo que, até agora, máquinas não oferecem. É por isso também que André Turquetto, CEO da Veloe, chama a atenção para a importância estratégica do fator humano nas organizações nestes tempos em que a IA vai se tornando quase onipresente.
A inteligência natural, a força e as emoções humanas fazem a diferença dentro de um campo de futebol, como tem mostrado a Copa do Mundo. São essas qualidades que tornam tão atraentes os esportes, atividades que mobilizam milhões de pessoas e geram negócios no mundo todo, assunto da reportagem de capa, “Trilhões em jogo”.
Entre os craques em destaque na Copa está o marroquino Ayyoub Bouaddi, um meio-campista de 18 anos que deixou os brasileiros boquiabertos pelo desempenho contra a nossa seleção. Um aspecto notável, além de seu jogo elegante, é que Bouaddi é um craque na escola: costuma ser o primeiro da turma e se interessa por matemática e física. No Brasil, com muitos jovens incertos quanto ao que fazer, ele seria um exemplo inspirador, não só pela bola que joga.
Publicado em VEJA, junho de 2026, edição VEJA Negócios nº 27







