Carta ao leitor: Na era da IA, máquinas ganham poder de decisão
É o início de mais uma revolução que avança celeremente nos negócios e na vida
“Houve um tempo em que o homem enfrentou o universo sozinho e sem amigos. Agora ele tem criaturas para ajudá-lo… A humanidade não está mais sozinha… Eles (os robôs) são uma espécie melhor e mais perfeita que a nossa.” O vaticínio é de Susan Calvin, “psicóloga roboticista” da US Robots and Mechanical Men Inc., “o mais estranho gigante industrial da história da humanidade”. Trata-se de ficção científica das melhores. A doutora Susan é personagem do clássico Eu, Robô, escrito pelo russo-americano Isaac Asimov, em 1950. Asimov anteviu o futuro quando os primeiros computadores despontavam como “cérebros eletrônicos” e a cibernética era um campo promissor, mas ainda incipiente, da tecnologia.
A reportagem de capa, “A era dos robôs” (pág. 20), mostra como aquilo que já foi apenas imaginação de cientistas e escritores vai hoje se tornando uma realidade que rapidamente se alastra, modificando a vida das empresas e das pessoas. O motor da mudança é a transposição da inteligência artificial — de início usada para pesquisar, coligir dados e responder a perguntas — para o mundo físico. Máquinas que aprendem, tomam decisões e agem sozinhas vão proliferando em formas variadas, de robôs industriais a humanoides e quadrúpedes, além de drones e veículos autônomos.
A revolução é avassaladora e está na mira das empresas de ponta, como exemplifica Rubens Menin, fundador e controlador do conglomerado que tem à frente a construtora MRV (Direto ao Ponto, pág. 9). Um de seus negócios, o Banco Inter, já nasceu digital, e para a inovação constante mantém o Inter Science, grupo de cientistas que pesquisa inteligência artificial, blockchain e computação quântica. A tecnologia também é um dos trunfos da BradSaúde (“Check-up completo”, pág. 28), operação recém-formada que consolida as diversas empresas ligadas ao Bradesco que atuam na área de saúde. A automação avança no setor, das cirurgias robóticas aos centros de diagnóstico, e é parte vital da estratégia de otimização de custos.
São frentes em que se verá cada vez mais a automação. Será fundamental que se cumpra o mais importante dos preceitos das Leis da Robótica, criadas por Asimov: “Um robô não pode prejudicar a humanidade, nem, por omissão, permitir que a humanidade sofra danos”. Que assim seja.
Publicado em VEJA, abril de 2026, edição VEJA Negócios nº 25





