Como a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pode levar o dólar a R$ 5,50?
JPMorgan projeta alta da moeda americana caso o vencedor das eleições promova uma deterioração fiscal
Uma deterioração da trajetória fiscal após as eleições pode levar o dólar a 5,50 reais, enquanto um governo comprometido com a responsabilidade fiscal poderia fazer a moeda americana recuar para 4,90 reais, segundo análise do JPMorgan publicada na noite desta quarta-feira, 19.
O banco projeta dois cenários para o câmbio em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. No primeiro cenário, uma vitória acompanhada de medidas que ampliem a deterioração das contas públicas provocaria uma desvalorização adicional do real. No segundo, uma sinalização de ajuste fiscal poderia levar a uma valorização de cerca de 6% da moeda brasileira.
Para os analistas do JPMorgan, a proximidade das eleições deve aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros. “Nossa avaliação é de que há espaço para uma maior volatilidade dos ativos locais à medida que nos aproximamos de outubro”, afirmam Tania Jacob e sua equipe, responsáveis pelo relatório.
Fiscal será decisivo para o mercado
Na avaliação do banco americano, a situação fiscal será o principal fator observado pelos investidores durante e após a eleição. As contas públicas estão pressionadas pela elevada carga tributária, pelas despesas rígidas, pelos juros elevados e pela relação entre dívida e PIB.
“Por isso, os discursos e as escolhas fiscais feitas após as eleições gerais deste ano serão determinantes para as perspectivas econômicas de 2027 e dos anos seguintes”, afirmam os analistas.
O JPMorgan ressalta que a trajetória das contas públicas também terá impacto sobre as expectativas em relação à política monetária. Um cenário fiscal mais deteriorado pode aumentar os prêmios de risco e dificultar a queda dos juros, com reflexos sobre o câmbio.
Dois cenários para o dólar
No cenário considerado negativo pelo banco, a vitória de um candidato que sinalize deterioração fiscal adicional poderia levar o dólar para próximo de 5,50 reais, acima dos níveis atuais.
Já uma vitória acompanhada de medidas de correção da trajetória fiscal poderia produzir o movimento contrário. O JPMorgan estima uma valorização de aproximadamente 6% do real, levando o dólar a testar as mínimas do ano, em torno de 4,90 reais.
O banco, portanto, vê uma diferença potencial de 60 centavos entre os dois cenários — uma amplitude que evidencia o peso das eleições sobre as perspectivas para os ativos brasileiros.
Segundo o JPMorgan, as pesquisas atuais dão vantagem a Lula nas simulações de primeiro e segundo turnos, previstos para 4 e 25 de outubro. No primeiro turno, o presidente aparece com cerca de 40% das intenções de voto. No segundo, mantém vantagem média de aproximadamente 3,5 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro.
A leitura do banco, porém, é que mais importante do que o nome do vencedor será a sinalização econômica dada pelo próximo governo, especialmente em relação às contas públicas.







