Como a Equatorial melhorou a qualidade dos serviços e virou potência no setor elétrico
Estratégia de recuperar distribuidoras de energia problemáticas a levou à liderança do setor, com vastos investimentos e crescimento
A Equatorial Energia cresceu no setor elétrico ao assumir distribuidoras com problemas operacionais e financeiros e melhorar seu desempenho. O primeiro passo foi dado em 2004, com a compra da antiga estatal Cemar, no Maranhão. Desde então, o grupo passou a controlar sete concessionárias, responsáveis pelo atendimento de 13% dos consumidores brasileiros em uma área equivalente a 31% do território nacional. Nos últimos anos, a companhia incorporou operações em Goiás, Amapá e Rio Grande do Sul. Em 2025, os aportes nas distribuidoras chegaram perto de 8 bilhões de reais. O Pará recebeu 3,5 bilhões de reais, 33% mais que no ano anterior. Os indicadores financeiros acompanharam o movimento: no primeiro trimestre de 2026, a receita líquida aumentou 12%, para 12,8 bilhões de reais, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve alta de 11%, alcançando cerca de 3 bilhões de reais. A expansão dos negócios e o histórico de recuperação de concessionárias levaram a Equatorial ao primeiro lugar do setor de energia elétrica no ranking TOP30.
O Pará mostra os resultados desse trabalho. Quando a Equatorial assumiu a concessão, em 2012, mais de 40% da energia distribuída se perdia no caminho, e o fornecimento era marcado por falhas frequentes. Desde então, bilhões de reais foram destinados à modernização da rede, ao combate a ligações irregulares e à melhoria dos serviços. Em 2025, o índice de perdas havia caído para 28%, ao mesmo tempo que a duração das interrupções diminuiu. “Em todas essas empresas, replicamos o nosso modelo, de ver valor onde outros não viram”, afirma Augusto Miranda, CEO da Equatorial Energia.
A melhora operacional também se refletiu nas contas da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a distribuição de energia gerou receita líquida de 9,2 bilhões de reais, 12% acima da cifra obtida no mesmo período do ano anterior. O trabalho realizado no Pará tornou-se uma referência para as demais concessões do grupo. “A Equatorial tem um DNA muito forte de comprar ativos ruins, geralmente a preços muito bons, e saber executar a melhoria técnica”, afirma Vitor Sousa, analista dos setores elétrico e de saneamento da gestora Genial Investimentos. “É um misto de boa técnica, oportunidade e execução.”
O crescimento impõe à Equatorial uma tarefa complexa: integrar as operações compradas nos últimos anos sem comprometer a eficiência que sustentou seus resultados até aqui. Em 2025, o grupo investiu 10 bilhões de reais e prevê novos aportes em distribuição e transmissão. A presença em diferentes mercados e ambientes regulatórios exigirá controle de custos e disciplina financeira. Para a companhia, será o teste de sua própria fórmula: mostrar que consegue administrar um portfólio maior com a mesma competência demonstrada na recuperação de ativos problemáticos.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







