ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Como o BC deve ‘enxergar’ os dados de comércio e serviços

O ritmo da atividade econômica é essencial para política de juros

Por Veruska Costa Donato 13 fev 2026, 13h10

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o comércio varejista encerrou 2025 com alta de 1,6%. É o nono ano seguido no azul — o que não é pouca coisa —, mas o ritmo perdeu força. Em dezembro, houve queda de 0,4% frente a novembro, embora na comparação com dezembro de 2024 tenha havido avanço de 2,3%. O contraste mais evidente aparece quando olhamos 2024, ano em que o setor cresceu 4,1%.

Para João Ferreira, sócio da One Investimentos, essa desaceleração é o retrato direto de uma política monetária apertada. Juros elevados esfriam o crédito, encarecem o parcelamento e fazem o consumidor pensar duas vezes antes de gastar. “Os dados mais fracos do comércio e também de serviços reforçam a expectativa de corte da Selic já na próxima reunião”, afirma. O mercado projeta uma redução de 15% para algo próximo de 14,5%, numa tentativa de calibrar a economia sem reacender a inflação.

Continua após a publicidade

Dólar

E onde entra o dólar nessa história? Segundo Ferreira, o câmbio tem efeitos diferentes sobre comércio e serviços. Um dólar mais baixo ajuda a segurar a inflação — que fechou 2025 em 4,26% —, mas também estimula as importações. “Um volume maior de importações tende a diminuir a dinâmica do varejo doméstico”, explica. Em bom português: produto estrangeiro mais barato aumenta a concorrência e aperta as margens do comércio local.

Continua após a publicidade

Serviços

Já o setor de serviços, que cresceu 2,8% em 2025 e representa cerca de 70% da economia brasileira, sente o impacto principalmente pela via dos juros. É um segmento muito ligado ao pequeno e microempresário, dependente de crédito e da renda corrente. “O principal ponto de avaliação do dólar é realmente sobre a inflação”, diz Ferreira. Se o câmbio ajuda a manter os preços comportados, aumenta a chance de corte de juros — e isso tende a favorecer serviços.

Continua após a publicidade

PIB

Olhando para frente, a expectativa é que comércio e serviços acompanhem o PIB, estimado entre 1,8% e 1,9%. Mas 2026 é ano eleitoral, e isso costuma trazer volatilidade e eventuais estímulos fiscais. A pergunta que fica é se o freio aplicado em 2025 foi apenas técnico ou se revela uma economia que ainda busca equilíbrio entre consumo, dólar comportado e juros em trajetória de queda.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).