ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Como resolver a guerra do ar condicionado corporativo

Presidente de empresa que fornece climatização por assinatura apresenta suas soluções para o tema que gera polêmica nos escritórios

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 15h19 | Atualizado em 17 abr 2026, 15h45
  • Quem nunca se viu no meio de uma briga silenciosa pelo controle do ar condicionado do escritório? De um lado, os que sentem frio e vestem casaco mesmo no verão paulistano. Do outro, os que reclamam de calor e abaixam a temperatura ao mínimo possível. No fundo, essa guerra tem uma explicação fisiológica — e uma solução tecnológica. “Refrigeração é sensação”, explica Mateus Orsini, presidente da Vulp Air, empresa especializada em climatização inteligente para o mercado corporativo. “O sentimento de calor ou de frio é você roubar ou perder calor para o ambiente. Tudo tende ao equilíbrio.”

    Esse princípio básico de termodinâmica ajuda a entender por que a mesma temperatura pode ser insuportável para uma pessoa e confortável para outra. Segundo Orsini, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece entre 24°C e 26°C a faixa ideal de conforto térmico para um ser humano adulto em repouso — mas esse parâmetro varia conforme o ambiente e a atividade. Em uma academia, por exemplo, a temperatura recomendada cai para entre 20°C e 23°C, porque a carga térmica do corpo em movimento é muito maior. Já no escritório, onde as pessoas passam horas sentadas, o intervalo da OMS costuma funcionar bem — desde que o sistema de climatização seja gerenciado corretamente.

    O problema é que, na maioria das empresas, o ar condicionado simplesmente não é gerenciado. Quem chega cedo ao escritório e o encontra vazio sente mais frio do que quem chega no meio do dia, quando a sala está cheia e a carga térmica acumulada pelas pessoas presentes é maior. Além disso, mudanças no layout — como a criação de uma nova sala, a instalação de uma televisão ou o simples aumento do número de funcionários — podem desequilibrar projetos de climatização feitos décadas atrás. “É muito comum um projeto feito há 20 anos ter mudado todo o layout e o arquiteto esquecer de olhar a climatização. Aí o ar não funciona — só que não é defeito, é porque não está mais no projeto original”, diz Orsini.

    A solução proposta pela Vulp Air passa pela automação inteligente do sistema. No modelo oferecido pela empresa, o perfil de climatização de cada ambiente é definido em uma conversa inicial com o responsável de facilities — ou de Recursos Humanos — e programado de forma individualizada. O ar liga às 9h da manhã em 26°C, desce para 18°C no pico do meio-dia, sobe de volta ao final da tarde conforme o escritório esvazia. Tudo automaticamente, sem que ninguém precise tocar em nada. “Na implantação, eu faço essa programação. Uma semana depois, se o pessoal reclamar, a gente vai lá e ajusta”, explica Orsini. Para redes com operações em todo o país, como farmácias com lojas do Recife a Porto Alegre, os perfis podem ser diferentes por unidade — afinal, o clima no Nordeste não é o mesmo de São Paulo.

    O próximo passo é conectar os sistemas a bases de dados meteorológicos. A tecnologia, ainda em desenvolvimento na empresa, permitirá antecipar o funcionamento dos equipamentos com base na previsão do tempo. Se o dia seguinte será mais quente, o sistema já começa a resfriar o ambiente antes do horário habitual. “A probabilidade de acerto um dia antes é absurdamente alta”, afirma Orsini. Esse nível de automação elimina tanto a guerra humana pelo controle remoto quanto o desperdício energético gerado pela regulagem manual e imprecisa dos aparelhos.

    Continua após a publicidade

    O modelo de negócio da Vulp Air funciona por assinatura mensal — um formato ainda incomum no setor de climatização. Em vez de vender equipamentos, a empresa se responsabiliza por toda a cadeia: projeto, instalação, manutenção preventiva e corretiva, monitoramento contínuo e substituição de equipamentos. O cliente transforma um alto investimento em infraestrutura (CAPEX) em uma despesa operacional previsível (OPEX). A promessa de economia é significativa: sem automação, a redução no consumo de energia pode chegar a 20%; com automação inteligente dos sistemas, até 50%. Orsini calcula que, para uma rede de farmácias com sete máquinas por loja, a mensalidade paga pela assinatura pode ser praticamente coberta pela economia na conta de luz.

    Fundada como evolução da Colortel — empresa com mais de 50 anos de experiência em gestão de ativos —, a Vulp Air foi assumida por Orsini em 2022, quando o faturamento mensal recorrente era de R$ 6,9 milhões e a base tinha cerca de 1.800 clientes. Em 2025, a receita anual chegou a R$ 132 milhões, com crescimento orgânico de 81% entre o fim de 2023 e 2025, e a empresa projeta dobrar o ritmo em 2026. Hoje, com mais de 2.500 clientes corporativos, 150 mil equipamentos em operação e 400 colaboradores espalhados pelo Brasil, a Vulp Air aposta que o mercado de climatização B2B (de empresa para empresa) — estimado em R$ 35 bilhões anuais — ainda mal começou a ser explorado pelo modelo de serviço contínuo. “Todo mundo que tem o ar condicionado como missão crítica, mas que não tem isso no seu core business, é o nosso cliente potencial”, resume Orsini.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 12,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).