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Conflito no Irã pode levar BC a adiar corte de juros?

Economistas opinam sobre reunião do Copom nos dias 17 e 18 de março

Por Veruska Costa Donato 2 mar 2026, 13h21 | Atualizado em 2 mar 2026, 13h30
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O petróleo voltou ao centro do tabuleiro global — e, como sempre, quando ele sobe, a conta começa a circular pela economia inteira. O conflito envolvendo o Irã adicionou tensão a um mercado que já vinha sensível, e o barril mais caro não fica restrito às refinarias: ele atravessa a cadeia produtiva, encarece fretes, pressiona insumos e chega, inevitavelmente, ao consumidor. É aquele efeito dominó que a gente sente no bolso antes mesmo de entender o porquê.

E a Selic?

Para a economista Laura Pacheco, o impacto é direto no humor do Banco Central, nos dias 17 e 18 deste mês o Copom se reúne para decidir sobre a taxa básica de juros. Em momentos de instabilidade, diz ela, a tendência é de mais cautela. A expectativa de parte do mercado de um corte de 0,75 ponto percentual na Selic pode ficar para depois. Com o nível de preços sob vigilância, o Copom tende a agir com conservadorismo — e isso significa, na prática, reduzir o ritmo ou até reavaliar o tamanho da queda dos juros neste primeiro momento.

Prudência

Sérgio Valle, economista-chefe da MB Associados, também enxerga um Banco Central mais prudente diante do conflito. Ele lembra que as apostas para a próxima reunião já haviam diminuído de 0,75 para 0,50 ponto, e agora alguns analistas falam até em 0,25. Ainda assim, avalia que há espaço para um corte de 0,50 ponto percentual. Para ele, o estresse tende a ser pontual. Passado o pico de tensão, o cenário de inflação e juros pode não se afastar tanto das projeções anteriores — até porque a inflação nos Estados Unidos já vinha pressionada por fatores internos antes mesmo da crise geopolítica.

Brasil exportador

No meio desse turbilhão, há um contraponto importante: o Brasil é exportador de commodities, inclusive petróleo. Com preços mais altos, a balança comercial pode ganhar fôlego, ajudando o câmbio e amortecendo parte da pressão inflacionária vinda do dólar. É um jogo de forças delicado. O conflito lá fora mexe com a energia do mundo — e, aqui dentro, redefine o compasso dos juros que ainda tentam encontrar o ritmo certo.

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