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Desemprego baixo deve limitar novos cortes de juros

C6 Bank prevê redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, para 14%, mas avalia que esse deverá ser o último corte do ano

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jul 2026, 16h14 | Atualizado em 30 jul 2026, 16h15
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A queda do desemprego para 5,4% no trimestre encerrado em junho não deve alterar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana, mas ajuda a explicar por que o espaço para novos cortes de juros permanece limitado. A avaliação é do C6 Bank.

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O banco espera que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, para 14% ao ano. A projeção, porém, é que esse seja o último corte de 2026 e que a taxa permaneça nesse patamar até dezembro.

A taxa de desocupação caiu de 6,1% no primeiro trimestre para 5,4% no período de abril a junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o menor resultado já registrado para um trimestre encerrado em junho desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.

Ao todo, 5,9 milhões de pessoas estavam procurando trabalho, uma redução de 718 mil em relação aos três primeiros meses do ano. A população ocupada aumentou em 1,1 milhão e chegou a 103,1 milhões.

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Mercado de trabalho mantém pressão sobre os serviços

O Banco Central acompanha os dados de emprego porque um mercado de trabalho aquecido pode elevar os salários e sustentar o consumo. Esse movimento tende a dificultar a desaceleração da inflação de serviços, mais sensível à renda e à demanda doméstica.

“Com uma taxa de desemprego baixa, o mercado de trabalho deve continuar aquecido e manter a inflação de serviços elevada nos próximos meses”, afirma Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

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A inflação de serviços está próxima de 5% no acumulado em doze meses. O rendimento médio real dos trabalhadores ficou em 3.738 reais no segundo trimestre, estável em relação aos três primeiros meses do ano e 2,8% acima do registrado no mesmo período de 2025.

A massa de rendimentos, que soma os ganhos de todos os trabalhadores, alcançou 380,3 bilhões de reais, com alta anual de 3,6%. A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas desempregadas ou que poderiam trabalhar mais horas, caiu de 14,3% para 12,9%, atingindo 14,7 milhões de pessoas.

O C6 e o Banco Central esperam uma desaceleração da economia, mas divergem sobre quando e com qual intensidade ela chegará ao mercado de trabalho. Para o banco, a perda de força da atividade ocorrerá mais lentamente do que o previsto pelo Copom. “Na nossa avaliação, a perda de força da atividade não será suficiente para esfriar o mercado de trabalho”, diz Moreno.

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Espaço para mais um corte

Apesar da pressão causada pelo mercado de trabalho, o C6 ainda vê espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião. A avaliação considera as projeções do Banco Central para o primeiro trimestre de 2028, período que passará a orientar as decisões do Copom.

No último Relatório de Política Monetária, a projeção de inflação para esse horizonte ficou em 3,2%, próxima da meta perseguida pelo Banco Central. O número ainda será atualizado na reunião da próxima semana.

“Uma projeção de 3,2%, ou mesmo um pouco menor, está ao redor da meta e abre espaço para que o Copom continue a calibragem dos juros com um corte de 0,25 ponto percentual”, afirma Moreno.

Para os meses seguintes, o cenário do C6 é mais cauteloso. O banco estima que a inflação voltará a acelerar e terminará 2026 perto de 5%. Por isso, prevê que a Selic permanecerá em 14% depois da próxima reunião.

A projeção é a mesma divulgada pela instituição em junho, quando o C6 estimou que a Selic encerraria 2026 em torno de 14% e que a taxa de desemprego terminaria o ano pouco abaixo de 6%.

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