Desenrola 2.0: 8 perguntas e respostas sobre o programa que dará desconto em dívidas
Com inadimplência, renda pressionada e às vésperas da eleição, governo prepara pacote com descontos de até 90% e uso do FGTS
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara o lançamento do chamado Desenrola 2.0, uma nova rodada de renegociação de dívidas que deve ser anunciada ainda esta semana. Ainda em fase final de definição, o programa é desenhado em meio ao avanço do endividamento das famílias e prevê, segundo integrantes do governo, descontos elevados para aliviar o orçamento dos brasileiros.
Às vésperas da eleição, a medida que visa diminuir a inadimplência e o poder de compra do brasileiro é a aposta eleitoral de Lula, que vem vendo seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, crescer nas pesquisas de intenção de voto. A exemplo de uma outra aposta eleitoral, a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, a medida deve ser anunciada pelo governo no dia 1º de Maio, dia do Trabalhador.
Confira o que se sabe até agora sobre o programa e o que ainda falta esclarecer:
Por que o governo quer lançar o Desenrola 2.0?
A iniciativa surge em um cenário de pressão sobre a renda. Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica. Ao mesmo tempo, a inadimplência tem avançado, especialmente em linhas como cartão de crédito e empréstimos pessoais.
Levantamento do Datafolha mostra que 59% dos brasileiros relatam dificuldades para viver com a renda, e quase metade diz ter recorrido a fontes extras de ganho nos últimos meses.
Quem poderá participar?
Pelo desenho em discussão no governo, a primeira fase deve ser voltada a pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos. Em um segundo momento, a proposta prevê a inclusão de microempreendedores individuais e pequenas empresas. A medida deve priorizar a população de menor renda, incluindo beneficiários de programas sociais. As negociações serão feitas direto com os próprios bancos, com garantia do governo federal.
Quais dívidas poderão ser renegociadas?
A proposta em elaboração prevê a renegociação de dívidas bancárias de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com mais de três meses de atraso. Ficariam de fora, nesse modelo inicial, empréstimos consignados e financiamentos imobiliários.
Quais são os descontos e condições?
Segundo as informações, os descontos poderiam variar de 20% a 90% sobre o valor total das dívidas, incluindo encargos. Os novos financiamentos devem ter juros abaixo de 2% ao mês, e há a previsão de permitir o uso de até 20% do saldo do FGTS para quitação dos débitos.
De onde viria o dinheiro para bancar os descontos?
A proposta considera um aporte de cerca de 10 bilhões de reais do Tesouro Nacional, que, de acordo com o desenho preliminar, ajudaria a viabilizar os descontos e a reduzir o risco de inadimplência para os bancos.
O que ainda não está definido?
Há pontos em aberto que seguem em análise. O governo avalia, por exemplo, a criação de uma linha de garantias para trabalhadores informais e a possibilidade de estabelecer um prazo de carência para o início dos pagamentos. Também está em discussão a inclusão de restrições ao uso de apostas on-line por participantes do programa, mas a medida enfrenta dúvidas jurídicas e não está fechada.
Qual é o tamanho do problema que o programa tenta resolver?
O Brasil registra 82,8 milhões de inadimplentes. Além disso, desconsiderando financiamentos imobiliários, cerca de 31% da renda das famílias está comprometida com dívidas. A inadimplência no crédito livre gira em torno de 7% dos contratos, em alta na comparação com o ano anterior, indicando piora na capacidade de pagamento.
Quando o programa será lançado?
O anúncio oficial do Desenrola 2.0 está previsto para 1º de maio, mas o governo ainda trabalha na revisão dos pontos mais sensíveis da proposta. A expectativa, dentro do próprio governo, é que o programa funcione como uma das principais apostas para enfrentar o endividamento recorde e aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias – e, de quebra, impulsione a popularidade de Lula às vésperas da eleição.







