ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Devolução da MP fragiliza Haddad e expõe risco fiscal

Dificuldade do ministro em emplacar a agenda econômica e sinais contrários vindos do Executivo aumentam a preocupação sobre as contas públicas

Por Larissa Quintino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jun 2024, 12h48 | Atualizado em 12 jun 2024, 15h47
Devolução da MP fragiliza Haddad e expõe risco fiscal Priorizar nos meus resultados Google

Na semana passada, uma hora depois da divulgação do PIB do primeiro trimestre, o Ministério da Fazenda anunciou uma medida provisória que limitava créditos tributários. Essa medida tinha com potencial de arrecadar 29 bilhões de reais e compensar a renúncia fiscal da desoneração da folha de pagamento aprovada pelo Congresso e que não estava no Orçamento do ano. Fernando Haddad, em viagem a Roma, deixou a cargo de sua equipe o anúncio e detalhamento da medida. O que não estava nas contas da Fazenda é o revés, tanto do ponto de vista político quanto do ponto de vista fiscal, que essa medida causaria.

Após uma semana de enxurrada de críticas do setor produtivo e do Congresso Nacional, a MP foi devolvida — algo que só aconteceu seis vezes nos últimos 30 anos. Enquanto a ala política do Executivo costurou o acordo para apagar o incêndio criado pelo texto — com o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), aplaudindo a decisão de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) —, o ministro assumiu a derrota e disse que não há um ‘plano B’ para essa medida. A sensação de risco fiscal do mercado, que já era enorme, ficou ainda maior.

A percepção do mercado é que há uma fritura do ministro, que não consegue emplacar sua agenda fiscal no Legislativo. No fim do ano passado, Haddad viu o risco de devolução da MP sobre a reoneração da folha de pagamento. A devolutiva não foi feita por parte do Parlamento; o governo, entretanto, revogou o trecho, e todas as tentativas de tentar rever a desoneração não andaram.

Enquanto Haddad sofre para tentar equacionar a questão fiscal, a sinalização vinda do Executivo é de ignorar o problema. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um evento a investidores que o Brasil está “arrumando a casa e colocando as contas públicas em ordem para assegurar equilíbrio fiscal”. O presidente voltou a defender mais investimentos públicos para impulsionar a economia — ou seja, reforçou o viés gastador do governo.

A questão fiscal preocupa o mercado, tanto que a bolsa brasileira não consegue aproveitar as notícias positivas vindas do exterior, como a desaceleração da inflação nos Estados Unidos. Por aqui, a bolsa cai mais de 1%, e o dólar acelera para 5,40 reais.

Continua após a publicidade

MP derrubada

A MP do PIS/Cofins, apelidada de MP do “fim do mundo”, foi alvo de ataque de exportadores, bancada ruralista, setor de mineração, indústria e comércio. Ao todo, 70 entidades empresariais se posicionaram contra a proposta da Fazenda. A MP restringia o uso de crédito desses impostos pagos na cadeia produtiva apenas para o abatimento do próprio PIS/Cofins. A regra atual permite que se abata o valor de qualquer tributo, inclusive o previdenciário.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos."
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).