Disputa com correspondente entra no radar dos negócios da QI Tech
Correspondente bancário questiona descontos sobre comissões em mais de 28 mil operações de consignado e abre nova frente de atenção para a fintech
Enquanto a QI Tech avalia alternativas para dar liquidez a seus acionistas — entre elas IPO, venda para um banco e recompra de participações pelos fundadores — uma disputa judicial com um de seus correspondentes bancários passa a integrar o conjunto de contingências a ser examinado em uma eventual negociação.
A Segue Fincare entrou na Justiça de São Paulo contra a QI questionando descontos feitos sobre sua remuneração pela originação de empréstimos consignados. O processo, distribuído em 27 de agosto às Varas Empresariais da capital, é classificado pelo tribunal como uma ação por inadimplemento.
Segundo a Segue, a QI descontou 9,25% de suas comissões, a título de PIS e Cofins, em mais de 28 mil operações. A correspondente sustenta que a retenção não estava prevista no contrato firmado entre as empresas.
A disputa ganhou corpo em outubro do ano passado. De acordo com a Segue, a QI chegou a condicionar a devolução dos valores ao atingimento de uma meta de 100 milhões de reais em empréstimos consignados. Meses depois, passou a sustentar que o desconto fazia parte da dinâmica comercial acertada entre as duas companhias desde o início da relação.
A discussão individual é relativamente pequena diante do tamanho da QI Tech. O ponto que pode chamar atenção numa due diligence é outro: saber se o mesmo modelo de desconto foi adotado nos contratos com outros correspondentes bancários. Caso a prática tenha sido replicada, a exposição potencial pode ser maior do que a hoje discutida pela Segue.
A Segue continua aparecendo entre os correspondentes bancários da QI Tech.






