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Dívida das famílias brasileiras se aproxima do recorde, aponta BC

Comprometimento da renda com dívidas também avança e se mantém em patamar elevado, enquanto mais de 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de débito

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 abr 2026, 09h43 | Atualizado em 6 abr 2026, 15h24

O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 49,7% em janeiro, repetindo o patamar observado em dezembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O indicador, que mede a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, segue próximo do maior nível da série histórica, registrado em julho de 2022, quando atingiu 49,9%.

Ao excluir o crédito imobiliário, o endividamento apresentou leve alta, passando de 31,2% em dezembro para 31,3% em janeiro. O dado indica estabilidade no agregado, com variações marginais na composição das dívidas das famílias. A série do Banco Central mostra que o indicador permanece em patamar elevado, sem recuo relevante.

O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também avançou no período. O indicador subiu de 29,2% para 29,3% na passagem de dezembro para janeiro. Sem considerar os financiamentos habitacionais, a taxa passou de 26,9% para 27,1%, indicando que uma parcela crescente da renda mensal está direcionada ao pagamento de empréstimos e financiamentos.

Além disso, dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que cerca de 80,2% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, indicador que mede a proporção de lares endividados. “Os números refletem um cenário de alerta máximo, em que o crédito deixou de ser uma ferramenta de crescimento para se tornar um mecanismo de sobrevivência”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank. “Estamos diante de um estrangulamento do consumo”, completa.

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Dados adicionais do Banco Central mostram expansão em linhas específicas de crédito. O estoque de crédito habitacional para pessoas físicas cresceu 0,8% em fevereiro ante janeiro, somando R$ 1,326 trilhão, com alta de 11,6% em 12 meses. Já o crédito para aquisição de veículos avançou 1,3% no mês, para R$ 408,482 bilhões, acumulando crescimento de 16,2% em um ano. “Esse fenômeno é impulsionado não apenas pelos juros elevados, mas também por novos drenos de renda, como as apostas online, que desviam recursos de necessidades básicas”, afirma Assis.

Para o executivo, o quadro atual também está associado ao uso recorrente de linhas de crédito mais caras. “Para reverter esse quadro, o caminho é a troca estratégica de dívidas: substituir os juros elevados do rotativo por linhas de crédito com garantia, que são mais baratas, além de uma readequação do padrão de vida, anotando todos os gastos por 30 dias e cortando o que não é essencial, priorizando o pagamento de boletos que geram multas. O cartão de crédito deve ser usado apenas como conveniência para o dia a dia e nunca como um complemento do salário.”

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