Dívida dos EUA maior que 100% do PIB: isso já aconteceu antes?
Pico histórico do endividamento americano ocorreu em momento de grande estresse internacional
A elevação da dívida pública americana para além de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) acende um alerta sobre os rumos da economia sob o comando de Donald Trump. Os débitos somaram 31,27 trilhões de dólares ao final de março, portanto equivalente a 100,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de 31,22 trilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses.
Os Estados Unidos não dão sinais de que vão solucionar o endividamento de três dígitos tão cedo. A última vez que um o governo registrou um número semelhante foi no segundo trimestre de 2020, logo após a eclosão da pandemia da Covid-19. À época, a taxa de endividamento nacional em relação ao PIB saltou de 79,2% para 102,9% em poucos meses. A situação se atenuou ao longo do ano seguinte, contudo, com a taxa caindo para 96,9% do terceiro trimestre de 2020 e, menos de 30 meses depois, retornou para 90%.
O período em que a dívida nacional dos EUA ficou mais elevada e por período mais prolongado foi entre 1945 e 1946, ao final da Segunda Guerra Mundial. O endividamento em relação ao tamanho da economia atingiu um recorde histórico — e ainda não superado — próximo de 112%, segundo dados do Comitê de Orçamento do Congresso. O número preocupante foi resultado, em parte, dos enormes dispêndios dos EUA com uma guerra que os americanos não iniciaram. Entre a Segunda Guerra e a pandemia, o percentual de três dígitos não foi mais registrado.
As perspectivas para a dívida americana são boas. No ano passado, o déficit público dos Estados Unidos ficou próximo de 1,78 trilhão de dólares e, para 2026, a previsão é de um rombo de 1,9 trilhão de dólares. A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que segue em curso, dificulta previsões. Os dados foram divulgados no início de abril pelo Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês).







