Dólar acelera ganhos com mercado atento ao tarifaço e guerra do Irã
Por volta das 15h, o dólar subia 0,56%, cotado a 5,11 reais na venda
O dólar ganhou tração na tarde nesta quinta-feira, 16, após uma abertura modesta com o mercado atento ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A expectativa é que a medida reduza as exportações para o mercado americano e, consequentemente, diminua a entrada de dólares no Brasil, o que tende a pressionar a cotação da moeda.
Por volta das 15h, o dólar subia 0,56%, cotado a 5,11 reais na venda. Na máxima, a moeda chegou aos 5,11 reais. Na quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. As sobretaxas entram em vigor em 22 de julho. A decisão foi tomada após semanas de negociações e preservou uma parcela relevante das exportações brasileiras.
Entre os produtos que ficaram de fora das tarifas estão itens do agronegócio, da indústria de base, do setor aeronáutico e dos segmentos farmacêutico e químico, considerados estratégicos para a economia americana. A lista reúne mais de 800 produtos, entre eles minerais críticos, suco de laranja, carnes e café. Veja a lista completa nesta reportagem.
A decisão foi anunciada após as audiências públicas realizadas nos dias 6 e 7 de julho e das reuniões bilaterais entre o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e integrantes do governo brasileiro.
Segundo o USTR, os produtos que não integram a lista de exceções estarão sujeitos à tarifa de 25% em razão de práticas atribuídas ao Brasil nas áreas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas desleais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
“Essas questões são injustificáveis e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos, justificando a aplicação de tarifas”, afirmou o órgão em nota.
Em resposta, o governo brasileiro anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos e retomará a disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o Planalto, a medida abre caminho para eventuais contramedidas, mas não representa uma retaliação automática e mantém aberta a possibilidade de negociação.
Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os empresários brasileiros não podem ser prejudicados por medidas consideradas injustas adotadas por outros países. “Vamos avaliar quais setores serão impactados e apoiá-los, como o governo brasileiro fez na última vez”, disse Durigan.
Guerra no Irã também pesa
Para Fábio Astrauskas, economista da Siegen Consultoria, o tarifaço pesa nos negócios desta quinta-feira, mas não é o único fator. A guerra no Irã segue no radar do mercado e também também traz pessimismo para os investidores.
Os Estados Unidos bombardearam o Irã, e Teerã respondeu com represálias contra os países aliados de Washington no Golfo nesta quinta-feira, 16, sem perspectiva de que o conflito no Oriente Médio diminua, apesar das tentativas de mediação do Paquistão para retomar as negociações.
“Os ataques continuam e são tão violentos que minhas mãos estão tremendo”, contou à AFP Hani, um professor iraniano de 34 anos que vive na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país. “Houve pelo menos 11 ou 12 explosões. Tenho a impressão de que meus ouvidos vão explodir”, acrescentou.
Nas últimas 24 horas, os Estados Unidos lançaram novas ondas de bombardeios contra o Irã, especialmente nesta quinta-feira, no início da noite, sobre a ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, segundo a imprensa iraniana.
Por sua vez, o Irã atacou países da região aliados de Washington, e ambos os lados continuam fazendo ameaças com a mesma intensidade de meses atrás. Até o momento, as instalações de petróleo e gás do Golfo escaparam da fúria iraniana, mas Teerã ameaça bombardear as infraestruturas do Oriente Médio em caso de ataques contra as instalações do país.
A ameaça foi uma resposta à advertência de terça-feira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre bombardeios contra as pontes e usinas elétricas do país caso os iranianos não retornem à mesa de negociações.
Os confrontos foram retomados em 7 de julho, após ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irã. As hostilidades não têm precedentes desde o cessar-fogo de abril. A guerra, desencadeada em 28 de fevereiro com os bombardeios israelenses e americanos, provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
O Paquistão, mediador entre as partes, pediu nesta quinta-feira o “fim da violência e a retomada das discussões” no âmbito do protocolo de acordo assinado em meados de junho e que foi desmantelado. Também pediu o “retorno à normalidade no Estreito de Ormuz”.
No fim de semana passado, o Irã voltou a bloquear a via marítima, essencial para o trânsito mundial de hidrocarbonetos e, em represália, os Estados Unidos restabeleceram na terça-feira o bloqueio aos portos iranianos. O conflito também causa temor no mercado, o que ajuda a intensificar a alta do dólar.






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