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Dólar atinge menor nível em 2 anos; vale comprar agora?

Especialistas veem espaço para recuo da moeda, mas alertam para riscos com juros, eleições e cenário externo

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 abr 2026, 17h14 | Atualizado em 9 abr 2026, 17h39

O dólar voltou a operar nas mínimas dos últimos dois anos e reacendeu a dúvida entre investidores: é o momento ideal para comprar ou ainda há espaço para novas quedas?

A recente valorização do real tem sido sustentada por um forte fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, impulsionado pelo diferencial de juros ainda elevado e pela melhora no apetite global por risco. Esse movimento ajudou a descolar os ativos brasileiros do cenário internacional, favorecendo a queda da moeda americana.

Para Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da Top Gain, o Brasil continua atrativo mesmo com a perspectiva de cortes na taxa básica de juros. “Ainda temos um dos maiores juros reais do mundo, o que gera uma percepção de segurança e atrai capital estrangeiro”, afirma. Segundo ele, esse fluxo deve continuar sustentando o real, especialmente se houver redução de juros nos Estados Unidos, o que ampliaria a migração de recursos para mercados emergentes.

Nesse cenário, Santana vê espaço para o dólar cair ainda mais, podendo oscilar entre 4,90 reais e 5,00 reais. Ainda assim, ele recomenda cautela na estratégia. “É um bom momento para comprar dólar, mas de forma gradual, fazendo preço médio, principalmente para quem tem objetivos como viagens internacionais”, diz.

Por outro lado, a dinâmica recente do câmbio também carrega sinais de alerta. Para Tomás Roque, analista de alocação e inteligência da Avenue, o fortalecimento do real não ocorre de forma linear e depende fortemente do cenário externo.

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Segundo ele, o início do ano foi marcado por uma forte entrada de recursos em mercados emergentes, mas esse fluxo perdeu força com a escalada das tensões geopolíticas. “Quando aumenta a aversão ao risco, o dinheiro tende a voltar para os Estados Unidos, que ainda é visto como porto seguro”, explica.

Roque destaca ainda que o Brasil se beneficiou parcialmente da alta do petróleo, o que favorece a balança comercial e contribui para a valorização do real. No entanto, esse efeito pode ser temporário diante de um cenário global ainda incerto.

Outro ponto de atenção é o ciclo de queda de juros no Brasil. “Com a Selic em trajetória de corte, o país pode perder parte da atratividade que trouxe esse capital estrangeiro recentemente”, afirma.

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Além disso, fatores domésticos também entram na conta. O segundo semestre deve ser marcado por maior volatilidade, especialmente por conta do cenário eleitoral, o que pode pressionar novamente o câmbio. “O dólar pode até chegar a R$ 5, mas isso não significa que seja um nível sustentável”, avalia.

Diante desse contexto, a recomendação dos especialistas converge para uma postura equilibrada. Embora o patamar atual represente uma oportunidade, especialmente para quem precisa da moeda no curto prazo, o ambiente ainda exige cautela. Entre fluxo estrangeiro, política monetária e incertezas globais, o comportamento do dólar segue longe de uma trajetória linear, e deve continuar sensível a qualquer mudança no cenário.

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