Dólar sobe após EUA confirmarem tarifas de 25% contra o Brasil
Moeda tem leve alta com mercado também cauteloso com as medidas globais de Donald Trump
O dólar opera em leve alta nesta quinta-feira, 16, com o mercado atento ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A expectativa é que a medida reduza as exportações para o mercado americano e, consequentemente, diminua a entrada de dólares no Brasil, o que tende a pressionar a cotação da moeda.
Por volta das 9h30, o dólar subia 0,23%, cotado a 5,09 reais. Para Fábio Astrauskas, economista da Siegen Consultoria, o tarifaço deve influenciar os negócios desta quinta-feira, mas a moeda americana continua sendo pressionada pelas medidas adotadas pelo presidente Donald Trump para enfraquecê-la, o que explica a alta moderada.
“Donald Trump tomou uma série de medidas para desvalorizar o dólar. Isso reduz o apetite dos investidores pela moeda americana, mesmo em um momento de tensão comercial que tende a diminuir a entrada de dólares no Brasil”, afirma.
Na quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. As sobretaxas entram em vigor em 22 de julho. A decisão foi tomada após semanas de negociações e preservou uma parcela relevante das exportações brasileiras.
Entre os produtos que ficaram de fora das tarifas estão itens do agronegócio, da indústria de base, do setor aeronáutico e dos segmentos farmacêutico e químico, considerados estratégicos para a economia americana. A lista reúne mais de 800 produtos, entre eles minerais críticos, suco de laranja, carnes e café. Veja a lista completa nesta reportagem.
A decisão foi anunciada após as audiências públicas realizadas nos dias 6 e 7 de julho e das reuniões bilaterais entre o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e integrantes do governo brasileiro.
Segundo o USTR, os produtos que não integram a lista de exceções estarão sujeitos à tarifa de 25% em razão de práticas atribuídas ao Brasil nas áreas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas desleais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
“Essas questões são injustificáveis e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos, justificando a aplicação de tarifas”, afirmou o órgão em nota.
Em resposta, o governo brasileiro anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos e retomará a disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o Planalto, a medida abre caminho para eventuais contramedidas, mas não representa uma retaliação automática e mantém aberta a possibilidade de negociação.
Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os empresários brasileiros não podem ser prejudicados por medidas consideradas injustas adotadas por outros países. “Vamos avaliar quais setores serão impactados e apoiá-los, como o governo brasileiro fez na última vez”, disse Durigan.






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