Eleições pesam nas negociações de Caixa e BB com sindicatos
Restrições do período eleitoral limitam espaço para concessões, enquanto uma paralisação prolongada também ameaça criar desgaste político para o governo
O calendário eleitoral entrou nas negociações de Caixa e Banco do Brasil com seus funcionários. No BB, a direção já apontou as restrições impostas pela legislação eleitoral como um dos limites para avançar na proposta apresentada aos trabalhadores.
A legislação restringe aumentos de remuneração no funcionalismo nos 180 dias anteriores à eleição, salvo para recomposição de perdas. Na prática, o banco sustenta que o período eleitoral reduz sua margem para melhorar determinadas condições econômicas cobradas pelos sindicatos.
Na Caixa, o impasse está mais concentrado no Saúde Caixa. Funcionários rejeitaram mudanças que elevariam custos do plano para empregados, aposentados e dependentes, levando parte das bases a aprovar greve e pressionando a direção do banco a reabrir as negociações.
O problema para o governo é que o calendário eleitoral pesa dos dois lados. Se limita a capacidade dos bancos públicos de ampliar concessões, também torna politicamente mais custosa uma paralisação prolongada de Caixa e BB às vésperas da eleição.
Na Caixa, o risco é ainda mais sensível pela capilaridade do banco e por sua participação no pagamento de benefícios sociais. No Banco do Brasil, a crise se soma a uma relação já desgastada entre a gestão de Tarciana Medeiros e setores do movimento sindical.






