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Endividamento das famílias atinge recorde histórico no Brasil e volta a elevar inadimplência

Pesquisa da CNC mostra que 80,2% dos lares brasileiros têm algum tipo de dívida; atraso nos pagamentos cresce após três meses de queda

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 16h08 | Atualizado em 11 mar 2026, 16h24
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O nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior patamar desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (11). Em fevereiro, 80,2% dos lares declararam possuir algum tipo de dívida, o índice mais alto já registrado pela pesquisa.

O resultado indica avanço tanto na comparação com janeiro quanto em relação ao mesmo período do ano passado. Em janeiro, a taxa era de 79,5%. Um ano antes, em fevereiro de 2025, estava em 76,4%. Ou seja, em 12 meses o percentual de famílias endividadas cresceu 3,8 pontos percentuais, mostrando que o recurso ao crédito segue elevado no país.

O indicador inclui diversos tipos de compromissos financeiros, como faturas de cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, empréstimos pessoais, crédito consignado e financiamentos de bens como carros ou imóveis.

A parcela de famílias que afirmou não ter dívidas diminuiu. Em fevereiro, 19,7% disseram estar livres de compromissos financeiros, contra 20,5% no mês anterior.

Atrasos voltam a crescer

O aumento do endividamento veio acompanhado de uma piora no pagamento das contas. Após três meses consecutivos de queda, a inadimplência voltou a subir, alcançando 29,6% das famílias entrevistadas. Isso significa que quase três em cada dez lares têm dívidas em atraso.

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O índice é o mais elevado desde novembro do ano passado, quando havia atingido cerca de 30%.

Mesmo com a alta dos atrasos, houve uma leve melhora em outro indicador acompanhado pela pesquisa: a proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas. Esse grupo caiu marginalmente, passando a 12,6% do total — redução de 0,1 ponto percentual.

Crédito cresce em todas as faixas de renda

O avanço do endividamento ocorreu em todos os grupos de renda analisados pela pesquisa, embora tenha sido mais intenso entre famílias com rendimentos mais altos.

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Entre os domicílios que recebem até três salários mínimos, 82,9% possuem dívidas. O mesmo percentual foi observado entre aqueles com renda entre três e cinco salários mínimos.

Nas famílias que ganham entre cinco e dez salários mínimos, o índice ficou em 78,7%. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos, 69,3% declararam ter algum tipo de compromisso financeiro.

Quanto da renda vai para dívidas

A pesquisa também mede quanto do orçamento familiar está comprometido com o pagamento de dívidas. A parcela de consumidores que destinam mais da metade da renda mensal para quitar esses compromissos permaneceu estável em fevereiro, em 19,5%.

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Para a maior parte das famílias, o peso das dívidas no orçamento é intermediário. Cerca de 56,1% afirmam comprometer entre 11% e 50% da renda com pagamentos de crédito.

Em média, os brasileiros destinam 29,7% do rendimento mensal ao pagamento de dívidas. O percentual é praticamente o mesmo registrado um ano antes, quando estava em 29,9%.

Crédito caro pressiona famílias

Economistas apontam que o nível elevado de endividamento reflete uma combinação de fatores. Entre eles estão o uso intenso do cartão de crédito, o encarecimento do crédito ao consumidor e a tentativa de manter o padrão de consumo em meio à pressão do custo de vida.

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Levantamentos do Banco Central e de instituições financeiras indicam que as taxas de juros para pessoas físicas continuam em patamares elevados, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial.

Isso aumenta o risco de atraso nos pagamentos e dificulta a renegociação de dívidas.

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