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Endividamento das famílias bate recorde, segundo CNC

Pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio mostra que inadimplência também cresceu

Por Veruska Costa Donato 10 jun 2026, 13h00 | Atualizado em 10 jun 2026, 13h37
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O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde histórico em maio de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, 81,6% dos lares possuem algum tipo de dívida, o maior patamar de toda a série histórica e o quinto mês consecutivo de crescimento. Em maio do ano passado, esse percentual era de 78,2%, mostrando que o orçamento das famílias continua pressionado mesmo em um cenário de maior acesso ao crédito.

Aumento do endividamento e da inadimplência

O avanço das dívidas também veio acompanhado de um aumento da inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso subiu para 29,9% em maio, acima dos 29,7% registrados em abril e dos 29,5% observados no mesmo período de 2025. Já o grupo de consumidores que afirma não ter condições de quitar os débitos permaneceu em 12,3% pelo terceiro mês consecutivo, um sinal de que parte das famílias segue sem conseguir recuperar sua saúde financeira.

Situação delicada das famílias de menor renda

A situação é ainda mais delicada entre os brasileiros de menor renda. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento chegou a 84,6% e a inadimplência alcançou 38,6%. Entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, embora 71,4% também tenham dívidas, o percentual de contas atrasadas é muito menor, de 15,4%, evidenciando a maior vulnerabilidade dos consumidores de baixa renda aos juros e aos atrasos nos pagamentos. Para o presidente do Sistema CNC (Sesc-Senac), José Roberto Tadros, a situação exige atenção. “Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo…é preciso garantir que elas possam renegociar as dívidas e recuperar o fôlego financeiro”, acrescenta.

Outros números da pesquisa:

  • Cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento: 84,6% (crédito rotativo tem 428,3% de juros ao ano)
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  • Carnês de loja aparecem em seguida, com 16,1%
  • Crédito pessoal com 13,1%
  • Crédito consignado com 6,9%
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  • Renda comprometida caiu para 29,3% – o menor patamar desde maio de 2019.
  • O tempo médio de atraso recuou para 65 dias
  • 33,3% das famílias possuem dívidas com prazo superior a um ano
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  • 17% das famílias se consideram muito endividadas

 

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