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Enel deixa 16 000 imóveis novos sem ligação de energia e é cobrada por construtoras

Quase 8 000 imóveis novos aguardam há mais de seis meses que a Enel realize a ligação à rede elétrica

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 28 mar 2025, 16h12 - Publicado em 28 mar 2025, 16h07

Cerca de 16 000 imóveis novos no estado de São Paulo aguardam para serem conectados à rede de energia elétrica pela Enel, a concessionária que atende 8 milhões de domicílios na capital e mais vinte e três municípios paulistas. Segundo um levantamento do Sinduscon-SP, que representa as construtoras locais, quase 8 000 unidades esperam pela ligação há mais de seis meses. Para aproximadamente 3 000 imóveis, os atrasos vão de 30 a 180 dias.

Nesta semana, o presidente do Sinduscon-SP, Yorki Estefan, reuniu-se com Guilherme Lencastre, presidente do conselho de administração da Enel Brasil, que controla a companhia paulista, e outros membros da cúpula da empresa para cobrar providências. O problema, segundo as construtoras, não é novo. Os recorrentes problemas de atraso na ligação dos imóveis novos à rede elétrica levaram à criação de um grupo de trabalho composto pelo Sinduscon-SP e pela Enel, mas as reuniões bimestrais surtiram poucos resultados.

“Até o momento, não conseguimos identificar melhorias nos processos da Enel”, afirma Estefan. “Citamos diversos casos em que enfrentamos problemas, desde a aprovação de projetos até a execução de novas ligações.” Segundo ele, a Enel concordou em aumentar a frequência das reuniões do grupo de trabalho para mensal. A concessionária também afirmou que está contratando novas equipes e já não enfrenta problemas para adquirir os equipamentos e insumos necessários às ligações.

Na reunião desta semana, os construtores sugeriram que a Enel crie um grupo de profissionais exclusivo para atender as ligações de novas unidades, aprimore processos internos e integre melhor as equipes responsáveis pela aprovação das obras civis e de eletricistas que realizam a conexão à rede. “Há diversos casos de ligações programadas que acabam adiadas por até 20 dias devido a imprevistos menores, como problemas de trânsito”, explica Estefan. “Não faz sentido postergar uma ligação já autorizada por tanto tempo.” Segundo ele, a Enel se comprometeu a encurtar esses prazos.

Responsável pela distribuição de energia em parte de São Paulo desde 2018, quando pagou 5,6 bilhões de reais à americana AES pela Eletropaulo, a Enel apresenta recorrentes problemas. Os casos mais conhecidos foram os apagões de 23 de novembro de 2023, que deixou 2 milhões de imóveis no escuro, e o de 11 de outubro do ano passado, que atingiu 3,1 milhões de domicílios. Em ambos, fortes temporais causaram quedas de árvores e a interrupção das linhas.

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Especialistas no setor, funcionários e ex-funcionários da Enel afirmam que os problemas foram potencializados pela decisão da companhia de manter um estoque mínimo de peças e equipamentos e de reduzir fortemente as equipes de manutenção, a fim de tornar as operações mais líquidas – em bom português, gerar mais caixa para enviar para a matriz na Itália, que sofre com uma dívida superior a 50 bilhões de euros e vem se desfazendo de operações ao redor do mundo.

Com isso, a manutenção da rede fica aquém de concessionárias de outros estados. As falhas no abastecimento também se repetem em outras cidades brasileiras e em outros países onde a Enel atua. Em 2023, por exemplo, a companhia vendeu a concessão em Goiás, após sucessivas queixas dos clientes e ameaças do governador Ronaldo Caiado de anular o contrato. Em meados do ano passado, o presidente do Chile, Gabriel Boric, acusou a empresa de negligenciar os serviços. No auge da crise, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, ameaçaram ir à Justiça para cassar a concessão da Enel no estado.

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