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Entenda por que a conta de luz é cara e vai continuar subindo

A energia elétrica foi a vilã da inflação ano passado

Por Veruska Costa Donato 26 mar 2026, 15h36 | Atualizado em 26 mar 2026, 16h19
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A energia elétrica foi um dos principais vilões da inflação no ano passado. Os números deixam isso claro: enquanto o IPCA de 2025 avançou 4,26%, a tarifa de energia subiu 12,31%, quase três vezes mais. É nesse cenário que Renata Feijó, CEO da Liora Energia, chama a atenção para um ponto importante — a conta de luz é um gasto essencial, presente “100% no nosso dia a dia”, mas que continua difícil de entender. E essa complexidade ajuda a explicar por que o impacto dela se espalha pela economia.

Metade é consumo, a outra metade não

A executiva destaca que cerca de 55% do valor pago pelo consumidor corresponde à energia propriamente dita. Os outros 45% vêm de encargos, impostos, perdas e ineficiências do sistema. Ou seja, boa parte do aumento não está necessariamente na geração, mas na estrutura que sustenta o setor. Para quem paga a conta, a percepção é simples: a luz sobe — e sobe rápido.

Papel da Aneel

No campo regulatório, Renata reforça o papel da Agência Nacional de Energia Elétrica de garantir a chamada modicidade tarifária, que busca manter preços mais acessíveis ao consumidor. Ainda assim, contratos indexados ao IGP-M acabam sendo mais penalizantes do que aqueles corrigidos pelo IPCA. Segundo ela, ao longo das últimas duas décadas, esses índices mais voláteis produziram reajustes até três vezes maiores.

Inflação

Esse movimento cria um efeito circular difícil de quebrar. Tarifas sobem acima da inflação, pressionam custos de produção e serviços e, no ciclo seguinte, a própria inflação maior retroalimenta novos reajustes. É o que a executiva define como um “círculo vicioso”, em que a conta de luz deixa de ser apenas despesa doméstica e passa a influenciar toda a economia.

Desafios

Do lado da infraestrutura, ela destaca que o sistema elétrico brasileiro é robusto e interligado, um ponto positivo importante. Mas há desafios: a expansão de fontes renováveis, especialmente no Nordeste, exige levar energia para o Sul e Sudeste, o que aumenta perdas no caminho e demanda investimentos constantes em transmissão. Esses custos, direta ou indiretamente, acabam sendo compartilhados por todos os consumidores.

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Dependência das chuvas

Outro fator relevante é o aumento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que, segundo ela, subiu cerca de 40% em dois anos. Soma-se a isso a dependência das chuvas. Quando os reservatórios ficam baixos, entram em cena as termelétricas, mais caras, e surgem as bandeiras tarifárias amarela e vermelha. No fim das contas, a mensagem é simples: mesmo com matriz limpa e sistema robusto, a conta de luz continua refletindo uma combinação de clima, investimentos e regras — e, claro, chega todo mês sem pedir licença.

 

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