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Escala 6×1: economista explica que Brasil já mudou

Carla Beni alerta que as empresas que resistirem à mudança de jornada vão perder talentos

Por Veruska Costa Donato 6 fev 2026, 13h46 | Atualizado em 6 fev 2026, 13h58
Escala 6×1: economista explica que Brasil já mudou Priorize VEJA no Google

Depois do carnaval, o governo federal promete enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1. O tema ganhou corpo político e econômico. Não se trata apenas de rearrumar jornadas, mas de discutir como o trabalho cabe — ou extrapola — a vida das pessoas em um mercado que já mudou mais do que muita gente admite.

6×1 é ‘insalubre’

Para a economista e professora Carla Beni, o ponto de partida não é planilha, é princípio. Ela classifica a escala 6×1 como “insalubre” e diz que a mudança passa pela dignidade da pessoa humana. “Trabalho não é a vida inteira do indivíduo”, defende. Segundo Beni, o descanso é o que a economia chama de reprodução social — o tempo necessário para convívio familiar, cuidado com a casa e com a própria saúde. Sem isso, a conta não fecha nem no curto prazo.

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Copacabana Palace

E, ao contrário do discurso de ruptura, a professora lembra que o mercado já se mexeu. “Essa discussão já foi absorvida por várias empresas”, afirma. Casos como o do Copacabana Palace, além de redes de drogarias e supermercados, mostram que a mudança de escala, em muitos casos para 5×2, ocorreu sem corte salarial. Em alguns setores, o resultado foi até melhor: mais produtividade e menos rotatividade.

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Ponto de equilíbrio

Beni também relativiza os alertas de caos econômico. Para ela, o tom alarmista lembra previsões feitas no passado, como na criação do 13º salário. “Não houve colapso”, resume. A economista aposta em um caminho de negociação e ajuste fino, com redução gradual da jornada, das atuais 44 para 40 horas semanais, como ponto de equilíbrio entre empresas, trabalhadores e governo. Nada de choque brusco — mais adaptação do que imposição.

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Reter talentos

No debate sobre produtividade, outro argumento recorrente, a professora é direta: o problema não está apenas no trabalhador. Produtividade envolve método, treinamento, educação e acesso a tecnologia. Jornada excessiva, segundo ela, tende a produzir cansaço, não eficiência. Nesse contexto, o fim da escala 6×1 pode ser menos um custo e mais uma estratégia — inclusive para reter talentos em um mercado que já percebeu que gente exausta trabalha menos, não mais.

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