Escala 6×1: economista explica que Brasil já mudou
Carla Beni alerta que as empresas que resistirem à mudança de jornada vão perder talentos
Depois do carnaval, o governo federal promete enviar ao
Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1. O tema ganhou corpo político e econômico. Não se trata apenas de rearrumar jornadas, mas de discutir como o trabalho cabe — ou extrapola — a vida das pessoas em um mercado que já mudou mais do que muita gente admite.
6×1 é ‘insalubre’
Para a economista e professora
Carla Beni, o ponto de partida não é planilha, é princípio. Ela classifica a escala 6×1 como “insalubre” e diz que a mudança passa pela dignidade da pessoa humana. “Trabalho não é a vida inteira do indivíduo”, defende. Segundo Beni, o descanso é o que a economia chama de reprodução social — o tempo necessário para convívio familiar, cuidado com a casa e com a própria saúde. Sem isso, a conta não fecha nem no curto prazo.
Copacabana Palace
E, ao contrário do discurso de ruptura, a professora lembra que o mercado já se mexeu. “
Essa discussão já foi absorvida por várias empresas”, afirma. Casos como o do Copacabana Palace, além de redes de drogarias e supermercados, mostram que a mudança de escala, em muitos casos para 5×2, ocorreu sem corte salarial. Em alguns setores, o resultado foi até melhor: mais produtividade e menos rotatividade.
Ponto de equilíbrio
Beni também relativiza os alertas de caos econômico. Para ela, o tom alarmista lembra previsões feitas no passado, como na criação do 13º salário. “Não houve colapso”, resume. A economista aposta em um caminho de negociação e ajuste fino, com
redução gradual da jornada, das atuais 44 para 40 horas semanais, como ponto de equilíbrio entre empresas, trabalhadores e governo. Nada de choque brusco — mais adaptação do que imposição.
Reter talentos
No debate sobre produtividade, outro argumento recorrente, a professora é direta: o problema não está apenas no trabalhador. Produtividade envolve
método, treinamento, educação e acesso a tecnologia. Jornada excessiva, segundo ela, tende a produzir cansaço, não eficiência. Nesse contexto, o fim da escala 6×1 pode ser menos um custo e mais uma estratégia — inclusive para reter talentos em um mercado que já percebeu que gente exausta trabalha menos, não mais.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif?quality=70&strip=info)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif?quality=70&strip=info)