ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Especialista analisa escala 6×1 no programa ‘Mercado’

O assunto foi debatido na edição desta quinta, 16

Por Veruska Costa Donato 16 abr 2026, 16h06 | Atualizado em 16 abr 2026, 17h28
  • A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais ganha contornos de mudança estrutural. Para o economista Euzébio Jorge, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a medida representa um “salto civilizacional” necessário para o país. A ideia central é simples: menos tempo dedicado ao trabalho exaustivo e mais espaço para estudo, qualificação e reorganização da vida produtiva, o que, no longo prazo, tende a fortalecer a economia.

    Potencial de consumo e educação

    Segundo o economista, discutir jornada de trabalho significa mexer diretamente na estrutura de custos das empresas e também na demanda da economia. O tempo livre não é apenas descanso, mas potencial para consumo, educação e reorganização da produtividade. Quando o trabalhador tem espaço para planejar sua rotina, a qualidade do trabalho melhora e o impacto se espalha por diferentes setores.

    Dados do Dieese

    Dados apresentados por Jorge, com base em estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, indicam que jornadas menores, sem redução salarial, costumam elevar a produtividade. A lógica é que trabalhadores menos exaustos produzem mais em menos tempo. O argumento contraria a percepção de que mais horas significam maior eficiência, mostrando que o ganho está na qualidade da entrega e não apenas na quantidade.

    Investimento na carreira

    Outro ponto destacado é a qualificação profissional. O economista observa que trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas, em geral, apresentam menor escolaridade e renda média inferior. Quem trabalha menos horas, por outro lado, consegue investir em cursos, capacitação e novas habilidades, ampliando o potencial de renda. Na prática, a redução da jornada poderia funcionar como uma política indireta de educação e melhoria da produtividade.

    Menos tempo na empresa, mais economia criativa

    Há também um efeito relevante sobre a chamada economia criativa. Com mais tempo livre, os trabalhadores tendem a consumir serviços de lazer, cultura e turismo, movimentando setores que dependem diretamente do tempo disponível da população. Esse ciclo, na avaliação do economista, contribui para ampliar a atividade econômica e diversificar as fontes de crescimento.

    Continua após a publicidade

    Sem necessidade de transição

    Sobre a implementação, Jorge considera desnecessário um longo período de transição. Ele argumenta que o Brasil possui contingente suficiente para absorver ajustes, com elevada informalidade, desemprego e subutilização da mão de obra. Para o economista, reduzir a jornada é também uma questão de justiça social e parte de um projeto de desenvolvimento, no qual trabalhar menos não significa produzir menos, mas abrir espaço para qualificação, renda maior e crescimento mais equilibrado.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 12,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).