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EUA barram Microsoft e outras gigantes de tecnologia de programa para green card

Governo Trump acusa empresas de abusar de programas para trabalhadores estrangeiros e paralisa pedidos novos e em andamento

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 out 2026, 15h05
EUA barram Microsoft e outras gigantes de tecnologia de programa para green card Priorize VEJA no Google

O governo de Donald Trump suspendeu nesta quinta-feira (8) a participação da Microsoft, da Adobe e de seis grandes empresas de tecnologia e consultoria em um programa usado para levar trabalhadores estrangeiros à residência permanente nos Estados Unidos, o green card.

A medida faz parte da ofensiva do governo contra a contratação de estrangeiros qualificados e interrompe tanto novos pedidos quanto processos que já estavam em andamento no chamado PERM, certificação do Departamento do Trabalho que costuma ser uma etapa necessária para o green card patrocinado pelo empregador.

Além de Microsoft e Adobe, foram incluídas na suspensão Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL e Capgemini.

O governo afirma ter identificado suspeitas de fraude e uso inadequado dos programas de imigração, mas não apresentou publicamente detalhes das supostas irregularidades.

O vice-presidente JD Vance disse que a decisão tem como objetivo pressionar as companhias a dar preferência a trabalhadores americanos. “Nossa mensagem para a Microsoft é: vocês são uma grande empresa americana, mas precisam contratar grandes trabalhadores americanos”, afirmou.

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O que é o PERM

O PERM não é um visto. Trata-se de uma certificação trabalhista que, na maioria dos casos, antecede o pedido de residência permanente patrocinado por uma empresa.

Para obter a certificação, o empregador precisa demonstrar ao governo que procurou trabalhadores americanos qualificados para a vaga e que a contratação do estrangeiro não prejudicará os salários e as condições de trabalho no país.

Com a suspensão, o Departamento do Trabalho informou que não aceitará novos pedidos de certificação nem continuará processando solicitações pendentes das empresas atingidas.

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Isso não significa, porém, que os estrangeiros atualmente empregados nessas companhias perderão automaticamente seus vistos ou serão obrigados a deixar os Estados Unidos. A medida afeta principalmente o caminho para a residência permanente patrocinada pelo empregador.

Pressão sobre o H-1B

A ofensiva também mira o H-1B, visto destinado a profissionais estrangeiros em ocupações especializadas, muito utilizado por empresas de tecnologia.

A Microsoft foi responsável por cerca de 3.700 pedidos de H-1B aprovados em 2026, segundo dados citados pelo Guardian, o que a colocou entre as maiores empregadoras de profissionais com esse tipo de visto.

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Desde 2009, Microsoft e Adobe somaram cerca de 230 mil aprovações de H-1B e 100 mil certificações permanentes de trabalho, segundo o secretário do Trabalho, Keith Sonderling.

Vance acusa empresas de usar o sistema para substituir trabalhadores americanos por estrangeiros mais baratos. Segundo ele, profissionais contratados pelo H-1B recebem, em média, US$ 20 mil menos que trabalhadores americanos em funções semelhantes.

Empresas de tecnologia e entidades que defendem a imigração qualificada contestam essa visão.

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O argumento é que o programa permite às companhias contratar profissionais especializados em áreas nas quais há escassez de mão de obra nos Estados Unidos, especialmente tecnologia, engenharia, ciência e inteligência artificial.

Ofensiva vai além das empresas

A ação contra as empresas de tecnologia faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra programas de imigração legal.

Nesta quinta-feira, o governo também anunciou investigações sobre nove universidades americanas, entre elas Harvard, Yale e Stanford.

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A suspeita é de que instituições estejam usando programas destinados a estudantes e pesquisadores estrangeiros para reduzir custos trabalhistas ou substituir trabalhadores americanos.

A nova frente amplia o alcance da política migratória de Trump.

A administração começou o segundo mandato com forte foco na imigração irregular, mas passou a mirar também mecanismos legais usados por empresas, universidades e trabalhadores qualificados estrangeiros.

Para as companhias de tecnologia, a mudança cria uma nova restrição à contratação e à retenção de profissionais estrangeiros. Para os trabalhadores, o principal efeito é aumentar a incerteza sobre a possibilidade de transformar um emprego temporário em residência permanente nos Estados Unidos.

A decisão também coloca o governo Trump em uma posição mais dura diante de um setor que depende fortemente de mão de obra internacional para manter sua capacidade de inovação e expansão.

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