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Exportações de combustíveis dos EUA batem recorde com guerra no Oriente Médio

Alta demanda de Europa e Ásia impulsiona lucros das petroleiras, mas eleva preços internos

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 Maio 2026, 16h15 | Atualizado em 6 Maio 2026, 16h22

As exportações de combustíveis dos Estados Unidos atingiram níveis recordes nas últimas semanas, impulsionadas pela guerra envolvendo o Irã e seus desdobramentos sobre o fornecimento global de energia.

Dados da Energy Information Administration mostram que mais de 8,2 milhões de barris por dia de combustíveis refinados, como gasolina, diesel e querosene de aviação, foram enviados ao exterior, um aumento superior a 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço reflete a dependência crescente de países europeus e asiáticos do fornecimento americano diante da redução da oferta global.

Fechamento do Estreito de Ormuz altera fluxo global

A principal causa da disparada nas exportações é a interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do transporte global da commodity.

O bloqueio parcial da rota, provocado pelo conflito, reduziu significativamente a disponibilidade de petróleo no mercado internacional, forçando importadores a buscar alternativas, entre elas, os Estados Unidos.

O episódio é considerado uma das maiores disrupções já registradas na oferta global de petróleo.

Lucros crescem, mas estoques caem

O aumento das exportações tem gerado ganhos expressivos para empresas de energia americanas, que podem adicionar cerca de US$ 60 bilhões (aproximadamente R$ 300 bilhões) em fluxo de caixa neste ano, caso os preços se mantenham elevados.

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Por outro lado, o movimento pressiona os estoques domésticos.

Analistas apontam que os níveis de diesel nos EUA estão nos patamares mais baixos em duas décadas, aumentando o risco de escassez interna.

Alta dos combustíveis vira problema político

O avanço das exportações ocorre em paralelo à alta dos preços domésticos.

O preço médio da gasolina nos EUA atingiu cerca de US$ 4,53 por galão (aproximadamente R$ 23), o maior nível em quatro anos.

O cenário cria um dilema para o governo de Donald Trump, que enfrenta pressão interna para conter a alta dos preços, ao mesmo tempo em que mantém o compromisso de não restringir exportações.

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Especialistas avaliam que, caso os preços ultrapassem US$ 5 por galão, a Casa Branca pode ser forçada a considerar medidas mais intervencionistas.

EUA se consolidam como fornecedor global

Impulsionados pela demanda externa, os Estados Unidos voltaram a se posicionar como exportadores líquidos de petróleo e derivados, revertendo um cenário que prevaleceu por décadas.

A transformação está ligada à expansão da produção doméstica, especialmente do petróleo de xisto, e ao fortalecimento da infraestrutura de refino e exportação.

Volatilidade marca mercado de petróleo

Os preços do petróleo têm oscilado fortemente em meio às incertezas sobre o conflito.

O barril do tipo Brent variou entre US$ 97 e US$ 109 em um único dia recente, refletindo expectativas sobre negociações entre Washington e Teerã.

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Sinais de possível abertura do Estreito de Ormuz chegaram a derrubar os preços, mas a falta de avanços concretos nas negociações mantém o mercado instável.

Negociações seguem sem acordo

As conversas entre Estados Unidos e Irã continuam marcadas por impasses, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano e à suspensão de sanções.

Propostas recentes incluem um período inicial de confiança com abertura parcial da rota marítima e flexibilização de restrições econômicas, mas ainda há divergências significativas entre as partes.

Risco de nova escalada permanece

A possibilidade de agravamento do conflito segue no radar do mercado. Autoridades americanas já indicaram que novas ações militares podem ocorrer caso não haja acordo.

Para o mercado de energia, o desfecho das negociações será determinante.

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Uma reabertura efetiva do fluxo no Golfo pode aliviar preços, enquanto uma escalada tende a aprofundar a crise de oferta.

Pressão global deve continuar

Enquanto não houver solução diplomática, a tendência é de manutenção da pressão sobre o mercado global de combustíveis.

A dependência de importadores em relação aos Estados Unidos deve continuar elevada, consolidando o país como peça central no equilíbrio energético mundial, ao custo de maior tensão interna sobre preços e abastecimento.

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