Falta de planejamento do Brasil assusta o setor elétrico, diz CEO da Athon
Executivo lembra que decisões de entes privados são tomadas em prazos longos e demandam previsibilidade
O setor elétrico tem sérios desafios para levar investimentos adiante, como a falta de previsibilidade, segundo o CEO da Athon Energia, Daniel Maia. “O que nos assusta é que o país não tem um planejamento. Temos políticas de governo, não de Estado”, disse durante o Fórum VEJA de Energia, nesta segunda-feira, 27, em São Paulo. O executivo lembra que, diferente de uma corretora de investimento da Faria Lima, empresas que investem em energia renovável, como a Athon, trabalham com outro ritmo e demandam uma visão de longo prazo. “Somos um setor lento. Uma empresa como a minha leva um semestre para decidir investir”, diz.
Um ponto que pressiona por mudanças na governança do setor elétrico é a demanda crescente por energia no país. Os especialistas presentes no evento de VEJA são unânimes na avaliação de que a tendência é de crescimento robusto. “Apenas os data centers (para processamento de Inteligência Artificial) devem elevar o nosso consumo em 10%”, diz Maia. “Em meio à crise geopolítica do petróleo, a demanda por carros elétricos pode aumentar o consumo de eletricidade em 20% ou 30% no país”. A avaliação do representante da Athon é que a demanda nacional por energia elétrica pode praticamente dobrar nos próximos 10 anos.
A demanda crescente por energia elétrica provavelmente não vai ser atendida por hidrelétricas, mas por fontes intermitentes e renováveis, segundo o representante da Athon. “A energia de geração hidráulica tem perdido relevância no Brasil”, diz. Ele lembra que fontes de energia perenes, como é o caso das usinas hidrelétricas, são essenciais para atender o sistema nacional em períodos sem sol ou vento. Ao longo dos últimos anos, contudo, a competitividade das fontes solar e eólica fez com que renováveis ganhassem protagonismo em detrimento de demais fontes.
Para atender à demanda crescente por energia, o Maia destacou uma tríade de tecnologias que precisam ser expandidas no país com atenção especial: usinas térmicas e hidrelétricas e baterias para armazenagem de energia solar e eólica. O ambiente geopolítico atual, marcado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, tenciona preços, gera volatilidade no mercado e, por isso, dificulta planos do setor elétrico. “A verdade é que o plano A do Brasil está em risco”, diz Maia. “Em um contexto como esse, precisamos ter plano B e C”. O executivo deu um exemplo ao falar sobre usinas termelétricas que estão sendo leiloadas hoje no país: “Com a volatilidade do petróleo, essas termelétricas que estão sendo leiloadas agora tem um desafio para entregar energia dentro do prazo e do orçamento estipulado”.







