Fed decide juros hoje; mercado espera manutenção e tom duro
Com inflação ainda acima da meta, investidores buscam sinais sobre a possibilidade de uma alta em setembro
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião seguida. A decisão vem em linha com a expectativa do mercado financeiro, porém não foi unânime: três diretores votaram pela alta do juro americano, enquanto nove diretores optaram pela manutenção.
No comunicado, a autoridade monetária americana afirmou que “a atividade econômica continua se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”, e que a inflação continua elevada, acima da meta de 2%. Ainda assim, os diretores reforçam que vão assegurar a estabilidade de preços.
Cenário
A manutenção não elimina a possibilidade de uma alta nos próximos meses. Embora a inflação tenha perdido força em junho, o petróleo voltou a subir diante das tensões no Oriente Médio e pode aumentar os custos de energia, transporte e produção.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos caiu 0,4% em junho, maior recuo mensal desde abril de 2020. Em doze meses, a inflação desacelerou de 4,2% para 3,5%. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 2,6% no mesmo período.
O mercado de trabalho também perdeu ritmo. A economia americana criou 57.000 vagas em junho, abaixo das projeções, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%. Os números indicam uma desaceleração, mas ainda não uma deterioração capaz de levar o Fed a reduzir os juros.
Atenção se volta para o comunicado
A reunião não terá novas projeções econômicas nem a divulgação do dot plot, gráfico que reúne as estimativas dos dirigentes do Fed para os juros. Com menos informações disponíveis, os investidores estarão atentos ao comunicado e à entrevista de Warsh.
Para Alves, a mudança na comunicação do Fed tornou mais difícil antecipar os próximos passos da instituição. Desde que assumiu o cargo, Warsh passou a adotar declarações mais curtas e a evitar o forward guidance, como é chamada a sinalização antecipada sobre a direção da política monetária. “Quando não há uma sinalização prévia, você fica com mais incertezas do que certezas, mesmo depois de uma decisão”, afirma Alves.
O estrategista espera que Warsh volte a tratar o controle da inflação como prioridade, sem assumir compromisso com uma decisão específica para setembro. A atividade econômica continua em expansão e o mercado de trabalho permanece relativamente sólido, apesar da perda recente de fôlego.
Reunião pode ter votos por alta
A Ajax Asset Management prevê que a taxa será mantida, mas espera uma decisão dividida. Segundo relatório da gestora, um ou dois integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) podem votar por uma alta dos juros.
Entre os possíveis dissidentes estão Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland. As duas dirigentes têm demonstrado maior preocupação com a possibilidade de as pressões inflacionárias se espalharem para além dos preços de energia.
A avaliação da Ajax é que os dados recentes de inflação reduziram a necessidade de uma resposta mais agressiva nesta quarta-feira. Antes da divulgação do índice de preços ao consumidor, o mercado chegou a atribuir uma probabilidade próxima de 50% a uma alta em julho.
A valorização do petróleo, porém, deve levar o Fed a manter um discurso rígido. Para a gestora, a possibilidade de aumento dos juros passará a ser acompanhada principalmente na reunião de setembro.






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