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Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar médias empresas, diz especialista

Mudança na jornada de trabalho exigiria reestruturação operacional e medidas de transição para reduzir impactos no curto prazo

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 abr 2026, 09h32 | Atualizado em 21 abr 2026, 09h57

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas mais curtas pode trazer impactos relevantes para médias empresas brasileiras, especialmente aquelas que operam com margens mais apertadas e menor capacidade de absorver novos custos. A avaliação é de Armando Gomes da Rocha Júnior, sócio coordenador da área trabalhista do Marcelo Tostes Advogados, que alerta para desafios econômicos e operacionais caso a mudança seja implementada sem transição gradual.

Segundo o especialista, uma das consequências mais imediatas seria o aumento do custo da hora trabalhada, caso os salários mensais sejam mantidos nos níveis atuais. Isso poderia pressionar a rentabilidade das empresas, afetar o fluxo de caixa e limitar investimentos, sobretudo em setores intensivos em mão de obra e com pouca margem para repassar preços ao consumidor.

Entre os segmentos mais sensíveis estariam comércio, serviços, logística, turismo e saúde, áreas que dependem de operação contínua e grande volume de funcionários. Nesses casos, a reorganização das escalas exigiria reforço de equipes, redistribuição de turnos ou maior uso de horas extras, o que pode reduzir parte dos benefícios esperados com jornadas menores.

No mercado de trabalho, Rocha Júnior avalia que uma transição abrupta poderia levar empresas a postergar contratações, rever estruturas de custos e até ampliar a terceirização ou informalidade no curto prazo. Em cenários econômicos mais favoráveis, no entanto, algumas companhias poderiam buscar ganhos de eficiência por meio de reorganização interna e produtividade.

O especialista pondera ainda que jornadas reduzidas podem gerar efeitos positivos ao longo do tempo, como menor fadiga, queda no absenteísmo e redução da rotatividade. Esses ganhos, porém, tendem a aparecer de forma mais lenta em negócios com baixa digitalização e forte dependência de trabalho presencial.

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Para amenizar os impactos, ele defende a adoção de mecanismos de adaptação, como implementação gradual das novas regras, negociação coletiva por setor, flexibilização de modelos de jornada, uso de banco de horas e políticas de apoio econômico, incluindo incentivos fiscais temporários e linhas de crédito.

Na avaliação do advogado, os efeitos do fim da escala 6×1 dependerão menos da proposta em si e mais da forma como ela for desenhada, do ritmo de implementação e da existência de instrumentos eficazes para apoiar empresas durante a transição.

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