Fundação Estudar completa 35 anos e cria programa para lideranças climáticas
Instituição fundada por Lemann, Sicupira e Telles reflete mudanças em ambições e aspirações profissionais de novas gerações
A Fundação Estudar, organização fundada por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, completa 35 anos e mil participantes em 2026. A iniciativa sem fins lucrativos busca identificar e impulsionar talentos brasileiros de alta performance para posições de liderança em diversos setores por meio de bolsas de estudo e espaços para trocas de ideias.
Entre os fellows, como são chamados os membros, estão nomes que passam pelas áreas de empreendedorismo, tecnologia, gestão pública e política, como Tabata Amaral, Renan Ferreirinha e os fundadores da fintech Brex, Henrique Dubugras e Pedro Franceschi. À frente da instituição desde o fim de 2024, o diretor-geral Lucas Mendes resume que, para além de financiamento, a missão é criar oportunidades para que jovens capazes ampliem seu impacto ao longo da carreira.
O próprio executivo tem trajetória na Fundação Estudar e foi bolsista em 2014, quando recebeu apoio para cursar mestrado na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Depois de retornar ao Brasil, tornou-se voluntário nos processos seletivos, mentor de novos candidatos e doador antes de assumir a liderança. A experiência, segundo ele, reforçou um dos pilares da organização: a cultura do
giveback, em que ex-bolsistas permanecem envolvidos, seja contribuindo financeiramente ou orientando novas gerações.
Novas gerações, novas ambições
Se no início da década de 1990 o foco estava principalmente em jovens interessados em carreiras corporativas e cursos de administração ou economia, o perfil dos participantes se diversificou. Hoje, são reunidos talentos de áreas como tecnologia, políticas públicas, saúde, ciência, clima e terceiro setor, um sintoma da pluralidade de ambições e aspirações profissionais das novas gerações.
Diante desse cenário, a novidade de 2026 é a criação de uma vertical dedicada à formação de talentos para clima, a
Climate Fellow, que reflete a leitura de que a agenda climática deve se tornar um dos principais vetores de investimento e transformação econômica nas próximas décadas. Foram cerca de mil candidatos inscritos no programa e seis selecionados. Uma das bolsistas, inclusive, escolheu a China como destino de estudos, país relevante no setor de energia.
Apesar das mudanças no perfil dos membros, Mendes conta que o que os aproxima continua sendo a combinação entre excelência acadêmica, ambição e desejo de produzir impacto no Brasil. “O que não muda é o brilho nos olhos, o sonho grande e querer estar nos melhores lugares do mundo a fim de fazer algo relevante para o país”, afirma. Por isso, o diretor defende que o senso de comunidade é o principal diferencial da instituição.
Esse conceito aparece de forma especialmente clara no Prep, programa voltado a estudantes do ensino médio interessados em ingressar em universidades estrangeiras. Criado por brasileiros que estudaram em Harvard, o projeto oferece orientação para processos seletivos internacionais, preparação para provas, cartas de apresentação e mentorias.
Os resultados vêm crescendo: somente na turma mais recente, os participantes conquistaram 22 aprovações em universidades da Ivy League e receberam, ao todo, cerca de 6 milhões de dólares em bolsas concedidas diretamente pelas instituições estrangeiras. Desde sua criação, ele já apoiou mais de 680 estudantes e acumula aproximadamente 2 mil aprovações em universidades internacionais.
Olhando para os próximos anos, a Fundação Estudar pretende ampliar sua presença em segmentos considerados decisivos para o futuro do país. Além do fortalecimento das frentes voltadas à tecnologia e ao clima, a organização prepara iniciativas para apoiar atletas em transição de carreira e busca expandir sua atuação para novos polos acadêmicos, incluindo universidades da Ásia, Oriente Médio e China.
Embora os nomes de Lemann, Telles e Sicupira continuem associados à história da instituição, Mendes destaca que seu modelo depende da própria comunidade formada ao longo das últimas três décadas. Hoje, ela reúne centenas de voluntários, cerca de 300 doadores e mais de 20 empresas apoiadoras. A meta é permanecer relevante nas próximas décadas, mantendo a capacidade de identificar talentos e conectá-los às oportunidades capazes de multiplicar seu impacto dentro e fora do Brasil.






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