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IBC-Br surpreende, mas mantém expectativa de redução da Selic

Maioria dos analistas apostam em redução da Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de agosta

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jul 2026, 11h39 | Atualizado em 17 jul 2026, 11h53
IBC-Br surpreende, mas mantém expectativa de redução da Selic Priorizar nos meus resultados Google

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) avançou 0,1% em maio na comparação com abril e ficou levemente acima das expectativas do mercado, que projetava estabilidade no período. Economistas ouvidos por VEJA Negócios nesta sexta-feira, 17, afirmam que o indicador reforça a resiliência da economia brasileira, mas também confirma uma desaceleração gradual da atividade. Nesse cenário, a maioria dos analistas vê espaço para um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

O desempenho de maio foi sustentado principalmente pela indústria, que cresceu 0,4% na série com ajuste sazonal. A agropecuária recuou 1%, enquanto o setor de serviços avançou 0,1%. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br registrou alta de 0,2% no mês.

No trimestre encerrado em maio, na comparação com o trimestre finalizado em fevereiro, o indicador acumulou alta de 0,7%. Em 12 meses, o IBC-Br avançou 1,4%. No mesmo período, a agropecuária cresceu 2,5%, os serviços avançaram 1,8% e a indústria registrou alta de 0,5%.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, embora o indicador tenha renovado o maior nível da série histórica, os números seguem compatíveis com um cenário de perda gradual de fôlego da economia no segundo trimestre.

Segundo ele, a média móvel trimestral do IBC-Br desacelerou de 0,3% no trimestre encerrado em abril para 0,1% no período finalizado em maio, reforçando a percepção de arrefecimento da atividade.

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“Contudo, seguimos avaliando que esse processo ocorrerá de forma bastante gradual, refletindo o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, sobretudo em um contexto marcado pelas eleições presidenciais”, afirma.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, também vê sinais de desaceleração. Segundo ele, o IBC-Br perdeu força em linha com a fraqueza recente do setor de serviços e com um varejo praticamente estável.

Na avaliação do analista, os efeitos dos juros elevados começam a aparecer de forma mais clara sobre o consumo financiado, os investimentos e a demanda por crédito.

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“Essa desaceleração tende a ser gradual, já que renda, emprego e gastos públicos ainda sustentam a atividade e evitam uma retração mais intensa”, diz.

O que esperar para o PIB e a Selic?

Apesar da desaceleração, os economistas ouvidos pela reportagem mantiveram praticamente inalteradas as projeções para o crescimento da economia em 2026.

Sidney Lima estima expansão de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, o resultado reduz o risco de revisões mais expressivas para baixo, mas ainda não justifica elevar a estimativa. A mesma projeção é compartilhada por SulAmérica Investimentos, GCB e Valor Investimentos.

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No caso da Selic, a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, o que levaria a taxa básica para 14% ao ano. Quatro dos cinco analistas consultados pela reportagem trabalham com esse cenário.

Rafael Espinoso, estrategista e portfolio manager da GCB, avalia que novos sinais de enfraquecimento da atividade podem abrir espaço para juros menores ao longo dos próximos meses. “Por isso, acreditamos em mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom”, afirma.

Já Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, explica que os dados da inflação, que tem se aproximado do teto da meta também reforçam essa tese. “A Selic está em uma patamar muito contracionista e há espaço para mais um corte de 0,25.  No entanto, as próximas reuniões ficam em aberto, com as questões no Oriente Médio pesando sobre a definição de juros”, explica.

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A exceção é a SulAmérica Investimentos. A gestora projeta manutenção da Selic em 14,25% na reunião marcada para os dias 4 e 5 de agosto.

Segundo Natalie Victal, economista-chefe da instituição, embora a probabilidade de continuidade do ciclo de cortes tenha aumentado, os dados ainda mostram uma economia suficientemente resiliente para justificar cautela.

“Os números divulgados hoje reforçam nossa avaliação de que a atividade segue resiliente, o que torna menos justificável a continuidade dos cortes de juros neste momento”, afirma.

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