Ibovespa abre em alta com eleições e cenário externo no radar
Bolsa avança 0,42% no início do pregão, enquanto investidores aguardam nova pesquisa Datafolha e acompanham sinais sobre os juros nos Estados Unidos
O Ibovespa abriu em alta nesta quinta-feira, 1º, primeiro pregão de outubro, em uma sessão marcada pela expectativa com a reta final das eleições e pelos próximos sinais sobre a política monetária dos Estados Unidos. Por volta da abertura, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 0,42%, aos 187 122 pontos.
No mercado doméstico, as atenções estão voltadas para a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha nesta quinta-feira, a três dias do primeiro turno das eleições. O levantamento foi realizado entre 28 de setembro e 1º de outubro e ouviu 2.506 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Pesquisas eleitorais são retratos das intenções declaradas pelos entrevistados no período de coleta, e não previsões do resultado da eleição.
O mercado também acompanha o cenário externo. O dólar começou a sessão em alta frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior. Na abertura, a divisa era negociada perto de 5,19 reais.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a proximidade da eleição pode aumentar os ajustes nas posições dos investidores, ao mesmo tempo que o mercado acompanha a sinalização de dirigentes do Federal Reserve. “O dólar começa outubro em leve alta, acompanhando o fortalecimento global da moeda americana e refletindo possíveis ajustes de posição após a queda da véspera. A mudança de mês e a proximidade do primeiro turno favorecem uma revisão da exposição ao real e da proteção das carteiras, enquanto investidores aguardam a pesquisa Datafolha, o debate presidencial e os discursos de dirigentes do Fed”, afirma.
Apesar da valorização da moeda americana, Murad chama atenção para o desempenho relativo do real. No momento analisado por ele, o dólar avançava 0,14% no Brasil, ante altas de 0,47% em relação ao peso mexicano e de 0,79% diante do rand sul-africano. Segundo o consultor, a diferença indica que fatores domésticos estavam ajudando a reduzir parte da pressão externa sobre a moeda brasileira. Entre eles está o nível elevado da Selic, que pode aumentar a atratividade de ativos denominados em reais.
Juros americanos seguem no radar
Nos Estados Unidos, investidores continuam atentos aos próximos passos do Federal Reserve. A inflação medida pelo PCE avançou 0,3% em agosto, abaixo das expectativas do mercado, mas as atenções agora se voltam aos discursos de integrantes do banco central americano. “O alívio provocado pela inflação americana abaixo do esperado não eliminou o risco de novos aumentos dos juros nos Estados Unidos. Os discursos dos dirigentes do Fed serão importantes para mostrar quanto aquele resultado altera a avaliação da autoridade monetária”, diz Murad.
Uma sinalização de juros mais altos por mais tempo pode aumentar a atratividade dos títulos americanos e fortalecer o dólar internacionalmente, enquanto uma postura menos restritiva tende a favorecer ativos de maior risco.
No Brasil, a proximidade do primeiro turno adiciona outro componente de volatilidade. Para Murad, os efeitos econômicos das propostas discutidas na campanha passam principalmente pelas expectativas dos agentes sobre gastos públicos, dívida e execução das medidas apresentadas pelos candidatos. “A composição do Congresso também será importante para avaliar a viabilidade das medidas do próximo governo”, afirma.
O mercado chega a outubro depois de um setembro positivo para a Bolsa. O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 30, com alta de 1,37%, após ter avançado 0,46% na sessão anterior. Murad avalia que as oscilações podem permanecer frequentes até o encerramento do processo eleitoral, enquanto os investidores também acompanham a trajetória dos juros americanos e do dólar internacional.






