Ibovespa afunda mais de 2% em dia de Superquarta
Principal índice da B3 é impulsionado por movimento de realização de lucros, mas também tem atenção às decisões dos bancos centrais
O Ibovespa teve forte desvalorização de 2,05% nesta quarta-feira, 29, recuando para os 184,7 mil pontos, principalmente em um movimento de realização de lucros. A protagonista do dia é a Superquarta, quando tanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve quanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúnem para definir o futuro de suas políticas monetárias.
Nos Estados Unidos, foi decidida a manutenção da taxa básica de juros, que veio em linha com o esperado pelo mercado. Assim, o intervalo continua de 3,50% a 3,75%. O Fed, banco central americano, afirmou em comunicado que a geração de empregos permaneceu baixa, em média, e a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. A inflação segue elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais de energia. Também foi reforçado que os desdobramentos no Oriente Médio estão contribuindo para um elevado nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.
O dólar encerrou em valorização, cotado a 5 reais. A alta foi impulsionada após a afirmação de que o banco central americano pode remover o “viés de afrouxamento” na próxima reunião. Isso afastou qualquer expectativa de cortes em 2026 pelo mercado futuro, o que também reforça uma perspectiva de câmbio mais pressionado.
“Tanto o comunicado quanto a fala de Jerome Powell na coletiva de imprensa reforçaram que o banco central está em uma posição confortável para esperar novos dados antes de tomar uma nova decisão”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Essa foi a última reunião de Jerome Powell como presidente da autoridade monetária. Na coletiva, ele reforçou confiança em seu sucessor, Kevin Warsh. “O Federal Reserve existe para criar as condições econômicas em que famílias e empresas americanas possam prosperar”, afirmou.
Após o fechamento do mercado, o Copom anunciou a decisão de reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando-a para 14,5% ao ano. O corte também era previsto pelo mercado e veio em linha com as tensões inflacionárias globais provocadas pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Entre as ações de peso no principal índice da B3, os bancos o acompanharam e tiveram desempenho negativo. O Banco do Brasil (BBAS3) teve baixa de 3,68%, seguido pelo Itaú (ITUB4), que recuou 2,79%. O Santander (SANB11) caiu 2,65%, enquanto o Bradesco (BBDC4) encerrou o dia em desvalorização de 2,35%.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado:







