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Ibovespa aprofunda perdas em meio à trégua iminente entre EUA e Irã

Queda do preço do petróleo influencia ações da Petrobras, que puxa índice da B3 para baixo

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jun 2026, 11h47
Ibovespa aprofunda perdas em meio à trégua iminente entre EUA e Irã Priorizar nos meus resultados Google

O índice Ibovespa, principal indicador do mercado financeiro, opera em baixa de 0,59% por volta das 11h30, aos 169.402 pontos. O mercado de renda variável, com isso, aprofunda perdas observadas recentemente. O índice da B3, a bolsa brasileira, já havia caído 0,42% na segunda-feira, 15, dia seguinte ao anúncio de uma trégua iminente entre Estados Unidos e Irã. Os dois países teriam assinado um pré-acordo de cessar-fogo digitalmente, com cerimônia para assinatura presencial marcada para sexta-feira 19, na Suíça.

Entre os principais destaques negativos desta semana está a Petrobras, que acumula baixa de 5,87% desde o fim de semana. O movimento está ligado ao preço do petróleo, que recua 3,98% por volta das 11h30, cotado a 79,90 dólares por barril. O dólar opera em alta de 0,77%, cotado a 5,12 reais.

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para interromper a ofensiva militar no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, segundo anúncio feito pelo Paquistão, país que intermediou as negociações. O acordo promete algum alívio para o comércio internacional, que tem o Golfo Pérsico como rota estratégica. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa por Ormuz.

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Semana de “superquarta”

A notícia sobre o acordo entre EUA e Irã chegou em uma semana decisiva para a política monetária global. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai decidir sobre a manutenção de sua taxa de juros na quarta-feira, 17, mesmo dia em que o Banco Central do Brasil apita sobre os rumos da Selic. A combinação das duas decisões em uma única quarta-feira é o que o mercado financeiro brasileiro chama de “superquarta”. Até antes do anúncio do acordo de paz no Oriente Médio, o mercado apostava em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do Brasil, mas também considerava a possibilidade de manutenção.

Apesar das boas notícias vindas do exterior, ainda resta saber qual será o seu reflexo na economia real. O cenário brasileiro vinha piorando nas últimas semanas. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira 15 — que, portanto, não considera o acordo entre EUA e Irã — piorou as expectativas de inflação e juros. Os agentes de mercado consultados pela pesquisa apostam em uma inflação de 5,3% ao final do ano, ou seja, bem acima do teto da meta do Banco Central, fixado em 4,5%. A Selic deve encerrar 2026 em 13,75%, segundo o Focus.

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