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Ibovespa cai com tarifaço, eleições e dados do setor de serviços

Investidores esperam a definição das tarifas de 25% dos EUA contra o Brasil, que deve sair ainda hoje

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jul 2026, 11h53
Ibovespa cai com tarifaço, eleições e dados do setor de serviços Priorizar nos meus resultados Google

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 15, com investidores à espera da definição do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Além das incertezas em torno das tarifas, o mercado acompanha os desdobramentos da corrida eleitoral e repercute dados do setor de serviços abaixo das expectativas.

Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 0,4%, aos 175.941,57 pontos. O dólar recuava 0,02% aos 5,07 reais. Para Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos da Axia Investing, muitos investidores tendem a reduzir exposição à Bolsa enquanto aguardam a definição das tarifas.

“O mercado espera saber quais produtos serão afetados e quais empresas listadas podem sofrer impacto da tarifa de 25%”, afirma. “Enquanto não houver uma definição, a tendência é de cautela”, diz Sant’Anna.

Na terça-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) realizou uma reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo a pasta, o governo brasileiro reiterou o caráter “injusto” das tarifas recomendadas pelos Estados Unidos, tanto da sobretaxa de 25% direcionada ao Brasil no âmbito da Seção 301 quanto da tarifa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicada a outras 59 economias.

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“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justifica a aplicação das tarifas recomendadas. Reiteramos que qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para a construção de um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmou o MDIC em nota.

O prazo para o anúncio das tarifas e da lista de produtos atingidos termina nesta quarta-feira, 15 de julho.

Cenário eleitoral e setor de serviços pressionam a Bolsa

Para Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, o cenário eleitoral também passou a fazer parte dos cálculos dos investidores. Segundo ele, a pesquisa Genial/Quaest mais recente ampliou de sete para oito pontos percentuais a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

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“Parte do mercado vê com preocupação a possibilidade de um quarto mandato de Lula, diante do risco de deterioração do quadro fiscal”, afirma Passero.

Além do cenário político, a Bolsa reage aos números mais fracos do setor de serviços. Em maio, o volume de serviços recuou 0,4%, enquanto o consenso do C6 Bank projetava alta de 0,3%.

Na avaliação do banco, os indicadores até maio mostram uma atividade mais fraca do que o esperado. Houve crescimento nos serviços prestados às famílias, mas o segmento de transportes continuou em trajetória de queda.

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“No entanto, o mercado de trabalho aquecido, a expansão da renda dos trabalhadores e as medidas de estímulo ao crédito adotadas pelo governo podem oferecer algum suporte ao setor ao longo de 2026”, afirma Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

A economista ressalta que, embora o Banco Central tenha reduzido a Selic neste ano, os juros permanecem em patamar elevado e continuam limitando a atividade econômica. Ainda assim, ela não espera uma desaceleração mais intensa, diante da resiliência do mercado de trabalho.

“As comunicações mais recentes indicam que o Copom vê mais riscos de a inflação subir do que cair nos próximos meses, o que sugere uma pausa no ciclo de cortes da Selic. Acreditamos que a taxa, atualmente em 14,25% ao ano, terminará 2026 em 14%”, diz Moreno.

Assim, o Ibovespa opera em baixa enquanto investidores aguardam a definição das tarifas dos Estados Unidos e avaliam os possíveis impactos do cenário eleitoral e da perspectiva de juros elevados sobre os ativos brasileiros.

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