Ibovespa dispara com eleições e dado de emprego dos EUA
Pesquisa mostra uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, além da consolidação de uma terceira via
O Ibovespa opera em forte alta nesta quarta-feira, 2, com o mercado precificando a nova pesquisa eleitoral da Genial Quaest, que mostra uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Além disso, a consolidação de uma terceira via por meio de Augusto Cury anima os investidores e pode deixar o cenário aberto. No cenário internacional, há menor pressão nos juros após dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos abaixo do esperado.
Por volta das 14h, o Ibovespa salta 2,89%, aos 184.915,24 pontos, enquanto o dólar recuava 1,02%, a 5,10 reais. A pouco mais de um mês das eleições federais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatam no segundo turno da corrida presidencial. A nova pesquisa nacional Quaest foi divulgada nesta quarta-feira, 2.
Em confronto direto, Lula tem 42% das intenções de voto contra 41% de Flávio Bolsonaro. Dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais (pp), o cenário é de empate técnico entre os dois principais candidatos que concorrem ao Planalto em 2026.
Presidente — Nacional — 2º turno (cenário 1)
- Lula (PT): 42%
- Flávio Bolsonaro (PL): 41%
- Branco/nulo/não vai votar: 13%
- Indecisos: 4%
Já no primeiro turno, Lula lidera com 37% das intenções de voto ante 29% de Flávio Bolsonaro — no limite da margem de erro, a vantagem do presidente sobre o senador varia de 4 a 8 pontos percentuais.
Em terceiro lugar, aparece o escritor Augusto Cury (Avante), que pontua 10% entre o eleitorado nacional. Os candidatos Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) empatam tecnicamente na quarta posição, e os demais candidatos não marcaram pontos na pesquisa.
Presidente — Nacional — 1º turno
- Lula (PT): 37%
- Flávio Bolsonaro (PL): 29%
- Escritor Augusto Cury (Avante): 10%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 1%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Indecisos: 11%
- Branco/nulo/não vai votar: 7%
Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, explica que essa alta de hoje aconteceu porque o mercado não gosta de incerteza fiscal, e parte relevante dos investidores enxerga uma eventual troca de governo como sinal de política econômica mais ortodoxa.
“Então toda vez que uma pesquisa mostra o governo perdendo força, o dinheiro entra e as principais empresas listada na B3, tendem a se valorização e empurrar o Ibovespa. É basicamente o mercado precificando cenário político antes mesmo da eleição acontecer”, diz Bassani.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, comentam que além das pesquisas, os escândalos do Master com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, favorecem votos para o senador Flávio Bolsonaro.
“Por ora, as denúncias são positivas para a oposição, visto que Jair Bolsonaro foi julgado e sentenciado à prisão justamente pelo STF. No entanto, isso não significa que novos casos de corrupção do Master podem sair incriminando Flávio Bolsonaro, visto que o mesmo chamava Vorcaro de irmão no áudio do Darkhorse”, afirma Sant’Anna.
Dados da economia americana também impulsionam a Bolsa
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a alta da Bolsa também é sustentada tanto pela perspectiva de juros menores quanto pela própria composição do índice. A criação de apenas 38 mil vagas no setor privado dos Estados Unidos, abaixo das 48 mil esperadas, reforça a possibilidade de uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve.
No Brasil, a desaceleração da atividade também amplia as apostas na continuidade dos cortes da Selic, favorecendo empresas mais sensíveis às condições de crédito. “Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio mantém o petróleo valorizado e impulsiona as petroleiras, que têm peso relevante no Ibovespa”, afirma Lima.







