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Ibovespa fecha em baixa após inflação acima do esperado

Mercado repercutiu avanço do IPCA-15 em maio e monitorou novas incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 Maio 2026, 17h29
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O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (27) em queda, aos 175 947 pontos, em meio à cautela dos investidores diante da inflação brasileira acima das expectativas e das incertezas envolvendo a trégua entre Estados Unidos e Irã. O dólar terminou o dia cotado próximo dos 5 reais, refletindo um ambiente global ainda marcado por aversão ao risco.

No cenário doméstico, o mercado reagiu aos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, que avançou 0,62% em maio. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,64%, reforçando preocupações sobre a trajetória dos preços e reduzindo apostas em um eventual alívio dos juros no curto prazo. Além disso, investidores acompanharam compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou em Manaus do anúncio da retomada de investimentos da Petrobras no Amazonas.

Entre as ações de maior peso, os grandes bancos fecharam em terreno positivo. O Bradesco (BBDC4) liderou os ganhos do setor, com alta de 1,29%, seguido pelo Itaú (ITUB4), que avançou 0,85%. Já o  Santander (SANB11) subiu 0,55%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) teve leve valorização de 0,09%.

Cenário internacional

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No exterior, o mercado continuou atento às negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio. O governo iraniano afirmou que ataques norte-americanos próximos ao Estreito de Ormuz representaram uma violação do cessar-fogo em vigor há quase sete semanas, enquanto os Estados Unidos classificaram as ações como defensivas. Apesar da queda nos preços do petróleo e de sinais pontuais de avanço diplomático, o clima entre investidores permaneceu cauteloso.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o cenário ainda inspira atenção. “Apesar da queda do petróleo e de sinais pontuais de avanço diplomático, o mercado segue sensível com o risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio, o que ainda mantém demanda por proteção em relação ao dólar”, afirmou.

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Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o desempenho do mercado refletiu principalmente o desconforto com a inflação doméstica. “O fechamento desta quarta-feira mostrou um mercado mais defensivo e mais sensível à deterioração inflacionária doméstica do que propriamente ao ruído político externo, com o IPCA-15 acima do esperado funcionando como catalisador para reprecificação da curva de juros e sustentação do dólar acima dos R$ 5, mesmo em um ambiente de commodities relativamente mais acomodadas. A leitura predominante foi de que o Banco Central perdeu espaço para qualquer sinalização mais branda no curto prazo, especialmente porque a inflação segue contaminando componentes mais persistentes da economia, o que pressiona custo de capital, reduz tração para setores dependentes de crédito e reforça um ambiente de seletividade mais dura na bolsa.”

O analista também destacou que o cenário evidencia uma dependência maior do fluxo externo para sustentar os ativos brasileiros. “O movimento de hoje também evidencia que parte relevante do rali recente dos ativos brasileiros estava excessivamente dependente da narrativa de descompressão global e fluxo estrangeiro, enquanto os fundamentos domésticos continuam impondo prêmio elevado para risco local, principalmente em empresas alavancadas, consumo discricionário e segmentos mais expostos ao ciclo de juros”, completou.

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