Ibovespa ignora temor global com guerra, sobe 1% e renova recorde
Principal índice da Bolsa bate os 194 mil pontos, novo recorde
O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira, 9, contrariando o cenário global de queda dos mercados financeiros em meio à disparada do petróleo por causa do frágil cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, que resultou em um novo fechamento do Estreito de Ormuz.
Por volta das 11h, o Ibovespa subia 1,07%, aos 194.259,10 pontos. O número representa um novo recorde nominal intradiário para Bolsa paulista. Segundo dados analisados pela Elos Ayta, o mercado brasileiro tem se beneficiado desde o início do ano de um fluxo de capital estrangeiro que soma 53 bilhões de reais até o fim de março.
Essa entrada de capital acontece em meio a uma preferência de investidores globais por países emergentes em detrimento de países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Essa preferência acontece após o país americano elevar tarifas e provocar guerras pelo globo.
O Brasil, por estar em uma zona considerada de paz e por ter juros elevados, tem atraído investidores de todo o mundo, o que eleva os ânimos do mercado e faz o Ibovespa subir, mesmo em um dia de cenário internacional pessimista.
Por que o mercado internacional está pessimista?
O mercado global tem receio de uma retomada da inflação global devido a alta do petróleo. A commodity sobe 3,73%, a 98,28 dólares após o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos fracassar. Enquanto o Ibovespa sobe, os principais índices americanos recuam no pré-mercado.
Por volta das 10h30, o Dow Jones futuro recuava 0,35%, enquanto o S&P 500 futuro caía 0,17%. “O mercado global começa a rever o otimismo com o cessar-fogo, há muitas incertezas sobre a guerra”, diz Bruno Yamashita, coordenador de alocação e Inteligência da Avenue.
O que aconteceu entre Estados Unidos e Irã?
Os países acordaram um cessar fogo com uma possível reabertura do Estreito de Ormuz na terça-feira. Ontem, no entanto, o Estreito foi fechado novamente após o Irã alegar que o Líbano também faz parte do cessar-fogo, algo que Estados Unidos e Israel discordam.
Em meio ao novo impasse, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada desta quinta-feira, 9 (horário de Brasília), que as tropas do país seguirão no Oriente Médio até que o ‘verdadeiro acordo’ seja ‘totalmente cumprido’. O republicano ameaçou o Irã com ataque ‘maior, melhor e mais forte’, caso a isso não aconteça, o que, segundo ele, é ‘altamente improvável’.
“Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão posicionados no Irã e em seus arredores até que o verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”, escreveu na Truth Social.
“Se, por qualquer motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então o “tiroteio começará”, maior, melhor e mais forte do que qualquer um jamais viu”, acrescentou Trump, dizendo ainda que o Estreito de Ormuz seguirá aberto e seguro, apesar de o Irã ter fechado a rota marítima nesta quarta após acusar EUA e Israel de violarem o cessar-fogo, principalmente por causa dos ataques mortais israelenses no Líbano.
“Foi acordado há muito tempo, e apesar de toda a retórica falsa em contrário, nenhuma arma nuclear e o Estreito de Ormuz permanecerá aberto e seguro. Enquanto isso, nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista.”
Ou seja, o fim da guerra no Oriente Médio parece cada vez mais distante, o que preocupa os investidores globais. No entanto, o otimismo com países emergentes faz com que o mercado acionário brasileiro decole, mesmo com dia turbulento pelo planeta.





