Ibovespa recua com escalada da guerra no Oriente Médio
Os houtis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, o que pode travar ainda mais as entregas de petróleo
O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 21, à medida que a escalada da guerra no Oriente Médio amplia a aversão ao risco nos mercados globais. Os houtis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, enquanto novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz elevaram os preços do petróleo e reacenderam temores de inflação persistente e juros elevados por mais tempo nas principais economias.
Sem indicadores econômicos relevantes no Brasil, os investidores voltam toda a atenção para o cenário geopolítico. Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 0,62%, aos 172.298,03 pontos. O dólar caía 0,23%, cotado a 5,07 reais.
O risco de interrupção das exportações de petróleo ganhou um novo capítulo com o anúncio dos houtis de um bloqueio no Mar Vermelho contra embarcações ligadas à Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo bruto. A medida compromete uma importante rota alternativa ao Estreito de Ormuz e aumenta o risco de uma escalada regional, segundo avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU).
A decisão também foi condenada pelo governo saudita. Para Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College de Londres, o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb amplia significativamente o risco de um choque geopolítico devido à importância estratégica da passagem para o comércio internacional.
A tensão também aumentou após a Guarda Revolucionária do Irã, força de elite do regime, anunciar a apreensão de dois petroleiros no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo. Na segunda-feira, outras duas embarcações já haviam sido interceptadas, enquanto quatro navios foram abordados no domingo. Além disso, um navio-tanque foi atingido por um “projétil não identificado” próximo à costa de Omã, segundo informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
O Irã afirmou ainda ter atacado instalações americanas de radar e defesa antiaérea na região do Golfo, em resposta aos bombardeios dos Estados Unidos. Na segunda-feira, os militares americanos confirmaram a décima noite consecutiva de ataques contra a República Islâmica, tendo como alvo centros de comando, bases navais e instalações de mísseis e drones.
Com o aumento das ameaças às principais rotas marítimas de petróleo do mundo, os contratos da commodity voltam a subir nos mercados internacionais. O movimento reforça as expectativas de inflação mais elevada e reduz as apostas de cortes de juros pelos principais bancos centrais, pressionando ativos de risco, como ações.
Além do cenário externo, investidores seguem monitorando as discussões sobre as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset, a combinação entre incertezas geopolíticas e dúvidas sobre a política comercial dos Estados Unidos mantém o mercado mais cauteloso.
“Esse conjunto de fatores aumenta a seletividade dos investidores e pesa sobre o desempenho do Ibovespa”, afirma.
Temporada de balanços sustenta Wall Street
Apesar do aumento da tensão no Oriente Médio, as bolsas americanas operam em alta impulsionadas pela temporada de balanços corporativos. O S&P 500 avançava 0,66%, enquanto o Dow Jones subia 0,63%.
Mais cedo, a General Motors divulgou lucro ajustado de 3,57 dólares por ação, acima da expectativa do mercado, de 3,19 dólares. Os resultados reforçam o otimismo com os lucros das empresas e ajudam a limitar o impacto da crise geopolítica sobre as ações americanas.
No Brasil, a temporada de balanços ainda ganha tração. Após o fechamento do mercado, a Vale divulga sua prévia operacional do segundo trimestre. Analistas do Citi e da Genial Investimentos projetam produção de 85 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho. As ações da mineradora avançavam 0,05%.
Em suma, o Ibovespa recua devido ao conflito no Oriente Médio e a agenda brasileira esvaziada. Sem assunto de grande impacto no mercado interno, as notícias globais determinam o rumo da Bolsa de Valores no Brasil.






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