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Ibovespa recua com tensão entre EUA e Irã e dólar volta a ganhar força

Escalada do conflito no Oriente Médio aumenta a aversão ao risco global, pressiona mercados emergentes e fortalece a moeda americana

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jul 2026, 10h25
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O Ibovespa operava em queda de 0,29%, aos 173 811 pontos, nesta sexta-feira, 17, em um pregão marcado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais. O movimento acompanha a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar os ativos de países emergentes e impulsionou o dólar frente às principais moedas.

A moeda americana avançava 0,41%, cotada a 5,13 reais, após também ter encerrado a sessão anterior em alta. O cenário internacional voltou a dominar o humor dos investidores, que passaram a buscar ativos considerados mais seguros diante da escalada do conflito no Oriente Médio.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a queda da Bolsa e a valorização do dólar têm a mesma origem: o aumento da percepção de risco global. “A intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã elevou a aversão ao risco, fortaleceu a moeda americana e pressionou os ativos de mercados emergentes. Enquanto não houver sinal de redução das hostilidades, o dólar tende a permanecer pressionado para cima e o Ibovespa deve enfrentar dificuldade para construir uma recuperação consistente”, afirma.

Além da geopolítica, o mercado também reagiu às informações de que a startup chinesa Moonshot AI estaria desenvolvendo um modelo de inteligência artificial mais eficiente e com menor necessidade de processamento, o que levantou preocupações sobre uma possível redução da demanda por chips.

Segundo Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o movimento lembra a reação observada após o anúncio da DeepSeek no início do ano. “Saíram notícias de que a startup chinesa Moonshot AI estaria lançando um novo modelo de inteligência artificial muito mais eficiente do que os modelos americanos, utilizando menos chips. Isso gera uma percepção inicial de que a demanda por semicondutores pode diminuir. É um movimento semelhante ao que ocorreu com a DeepSeek: num primeiro momento aumenta a aversão ao risco, mas o mercado ainda precisa entender qual será o impacto real dessa tecnologia”, explica.

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Na avaliação do especialista, a combinação entre as incertezas sobre o conflito no Oriente Médio e as dúvidas em torno do setor de inteligência artificial acabou intensificando o mau humor dos investidores.

No mercado de câmbio, Yamashita destaca que a valorização do dólar ocorre mesmo após uma sequência de indicadores de inflação mais fracos nos Estados Unidos. “Depois de uma semana em que tanto a inflação ao consumidor quanto a inflação ao produtor vieram abaixo do esperado nos EUA, o câmbio continua pressionado principalmente pelas incertezas envolvendo o Oriente Médio”, afirma.

Além disso, os investidores acompanham o leilão de 50 mil contratos de swap cambial anunciado pelo Banco Central para o fim da manhã. A operação pode reduzir parte da volatilidade da moeda americana, mas, segundo os analistas, o principal direcionador dos mercados continua sendo o cenário externo.

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