ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Imposto maior para fintechs pode ter efeitos sobre preços e concorrência, diz setor

Em nota, a ABFintechs diz que as empresas têm modelo de negócios diferentes dos bancos tradicionais, exigindo isonomia em temas tributários

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 dez 2025, 11h19 | Atualizado em 2 dez 2025, 12h51
Imposto maior para fintechs pode ter efeitos sobre preços e concorrência, diz setor Priorizar nos meus resultados Google

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou nesta terça-feira, 2, a proposta que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das fintechs de 9% para 15%. Além das sociedades de crédito, financiamento e investimentos e de pessoas jurídicas de capitalização, de 15% para 20%. O projeto passou na CAE com 21 votos a favor e 1 contra, e segue agora para análise da Câmara.

A proposta não prevê um aumento imediato do CSLL para as fintechs, mas um avanço gradual da taxa. Segundo o relatório do Senador Eduardo Braga (MDB-AM), a taxa deve subir de 9% para 12% em 2026 e chegar a 15% em 2028. Atualmente, as fintechs pagam menos impostos que os bancos tradicionais com o objetivo do segmento disponibilizar crédito de forma mais barata que os bancos tradicionais.

Entidades do segmento se preocupam com a mudança e alertam que a medida pode gera um repasse de custos para o consumidor final ou reduzir os lucros das companhias do segmento. Atualmente, o Brasil tem cerca de 1.500 fintechs, que oferecem 250 milhões de contas digitais e geram 100 mil empregos.

Felipe Sant’Anna, especialista do grupo Axia Investing, vê a medida como algo arrecadatório, mas não descarta a questão da competição entre os bancos tradicionais e as fintechs como um fator crucial para votação da proposta. “Os grandes perderam clientes para as fintechs, pelo fato de elas oferecerem um serviço melhor para o cliente final”, diz Sant’Anna. Para ele, empresas como o Nubank e PagSeguro passaram a dominar esse mercado.

De acordo com Sant’Anna, a medida, mesmo que tenha a implementação gradual, pode inviabilizar a existência de algumas fintechs, principalmente aquelas que trabalham com apenas um produto. “Para o sistema como um todo é ruim, pois a população de baixa renda foi bancarizada com esse alívio para as fintechs”, diz Sant’Anna.

Continua após a publicidade

Desse modo, Sant’Anna acredita que se a proposta for aprovada, a mesma seria uma vitória para os grandes bancos. Isso porque a medida tende a equilibrar a disputa pela baixa renda. No entanto, o consumidor final desse segmento pode sentir uma ajuste de preços nos serviços prestados.

Em nota enviada a VEJA, a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) disse que as fintechs têm estrutura e modelo de negócios diferentes dos bancos tradicionais. “A comparação simplista entre ambos, especialmente em temas regulatórios ou tributários, não reflete a realidade do setor”, diz a entidade.

A ABFintechs reforçou a importância de políticas públicas e propostas tributárias que considerem a especificidade do setor e sejam construídas de forma transparente, com diálogo amplo com reguladores, associações e sociedade civil. “Nosso compromisso é com um ecossistema inovador, responsável e sustentável, que continue gerando oportunidades para empreendedores e inclusão para milhões de brasileiros”, diz a entidade.

A reportagem também entrou em contato com o Nubank, maior fintech que do Brasil. A empresa não quis se posicionar sobre o assunto.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos."
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).