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Incerteza global e inflação ainda pressionam cenário, diz BC

Banco Central aponta aumento da incerteza global, inflação acima da meta e impacto do petróleo como principais desafios para a política monetária

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 mar 2026, 11h59 | Atualizado em 26 mar 2026, 12h21

O Banco Central apontou, em seu Relatório de Política Monetária de março, divulgado nesta quinta-feira, 26, que o cenário econômico se tornou mais desafiador, com aumento da incerteza global e pressões persistentes sobre a inflação. O principal fator de atenção é o acirramento dos conflitos no Oriente Médio, que já impacta as condições financeiras internacionais, elevando a volatilidade de ativos e os preços de commodities, especialmente o petróleo.

No ambiente doméstico, a atividade econômica brasileira segue em trajetória de desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo do ritmo observado nos anos anteriores, refletindo a perda de fôlego da demanda interna e de setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Para 2026, a projeção de crescimento permanece em 1,6%, mas com riscos elevados diante do cenário externo mais adverso.

Apesar da moderação da atividade, o mercado de trabalho continua resiliente. A taxa de desemprego atingiu novos mínimos históricos, enquanto os salários reais seguem em expansão, fator que, por um lado, sustenta o consumo, mas, por outro, mantém pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.

A inflação, embora tenha apresentado alguma desaceleração recente, ainda permanece acima da meta de 3%. O IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,46% em novembro para 3,81% em fevereiro, mas os núcleos de inflação seguem elevados. A autoridade monetária destaca que a inflação de serviços continua pressionada, refletindo o mercado de trabalho aquecido e o hiato do produto positivo.

As projeções do Banco Central indicam que a inflação deve voltar a subir ao longo de 2026, influenciada, em grande parte, pelo aumento dos preços do petróleo. Após encerrar 2025 em 4,3%, a inflação deve cair para 3,6% no início de 2026, mas voltar a subir e terminar o ano em 3,9%, acima da meta. No horizonte relevante de política monetária, em 2027, a projeção é de 3,3%.

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Diante desse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a necessidade de cautela. A autoridade monetária destacou que a elevada incerteza, especialmente relacionada à duração e aos impactos dos conflitos no Oriente Médio, dificulta a previsão da trajetória de inflação e exige maior atenção na condução da política monetária.

Na última reunião, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, dando início a um processo de calibração após um período prolongado de política contracionista. Segundo o Banco Central, o movimento reflete sinais de desaceleração da atividade econômica, mas não altera o compromisso com a convergência da inflação para a meta.

O Comitê sinaliza que os próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos e, principalmente, do cenário externo. Em um ambiente marcado por choques de oferta e instabilidade geopolítica, a autoridade monetária reforça que seguirá adotando uma postura cautelosa para equilibrar o controle da inflação com a sustentação da atividade econômica.

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